27 de ago. de 2011



Entenda os eventos mais comuns em pacientes internados em uma CTI / UTI.

UTITer um parente internado em um hospital é uma experiência desagradável. Quanto esse internamento é em uma unidade de tratamento intensivo, o sentimento é ainda pior.

Estar internado em um CTI normalmente indica que o caso é grave. A quantidade de máquinas ligadas e de procedimentos médicos invasivos, associado ao pouco tempo permitido de visita, costumam deixar os familiares muito confusos, assustados e estressados.

Para tentar diminuir esse trauma, vou explicar o princípio das máquinas acopladas aos pacientes de um UTI e os procedimentos mais usados pelos médicos.

UTI - monitor- MONITOR -

Todo paciente internado em uma UTI precisa estar monitorizado. O monitor serve para a equipe médica avaliar de modo contínuo e "ao vivo", os sinais vitais do doente. Através de eletrodos, aparelhos de pressão automáticos e sensores ligados ao paciente e a máquina, é possível acompanhar a frequência cardíaca e respiratória, a pressão arterial, a saturação de oxigênio do sangue e ter um traçado básico de eletrocardiograma.

Qualquer arritmia cardíaca, queda ou elevação abrupta da pressão arterial , ou queda nos níveis de oxigenação do paciente são logo detectados pelo monitor que imediatamente avisa a equipe médica ou de enfermagem.

BOMBAS INFUSORAS -

UTI - Bomba infusoraPacientes internados em UTI frequentemente necessitam de drogas infundidas de modo contínuo. A bomba infusora permite a administração venosa de drogas em ritmo constante.

É muito comum os uso de bombas infusoras em paciente com sepse e choque circulatório. Doentes em choque não conseguem manter níveis normais de pressão arterial e precisam de drogas para manter a perfusão adequada dos tecidos. As drogas mais usadas para elevar a pressão arterial são a noradrenalina e a dopamina. Como são drogas de curtíssima duração e com grandes efeitos, precisam ser administradas continuamente e de modo muito controlado.

Do mesmo modo, nas crises hipertensivas também podemos administrar drogas anti-hipertensivas por via venosa, controlados pela bomba infusora. Deste modo conseguimos uma redução mais gradual e controlada da pressão arterial.

A bomba infusora também é usada nos casos em que precisamos manter os pacientes sedados, como naqueles que estão em ventilação mecânica (explico no próximo tópico). Essa sedação é conhecida popularmente como coma induzido. As drogas mais usadas para sedação são os benzodiazepínicos (ex: Midazolan), Fentanil ou Propofol.

Em doente diabéticos com níveis de glicose descontrolados, também se usa a bomba para se controlar a infusão de insulina.

- PUNÇÃO DE VEIA CENTRAL -

UTI - Cateter centralO doente em UTI recebe basicamente todas as medicações pela via venosa. Porém, nem todas as drogas podem ser administradas nas pequenas veias periféricas que temos nos braços.

Dois exemplos comuns são as drogas usadas no choque circulatório, explicado acima, e a nutrição parenteral, usada nos casos dos doentes incapazes de se alimentarem.

Esses tratamentos só podem ser administrados em veias centrais de grande calibre. Para isso, os médicos lançam mão da punção de uma veia profunda, com implantação de um cateter. Normalmente punciona-se a veia subclávia (foto abaixo) ou a veia jugular interna ou a veia femoral.

- VENTILADOR MECÂNICO -

UIT - Ventilador mecânicoOs doentes em UTIs muitas vezes apresentam falência do sistema respiratório e necessitam de um suporte extra de oxigênio. Este pode ser fornecido por máscaras, ou em casos mais graves, pela ventilação mecânica.

O ventilador mecânico é uma máquina que garante a entrada de oxigênio nos pulmões do doentes que apresentam insuficiência respiratória, isto é, incapacidade de manter boa oxigenação dos tecidos. O respirador mecânico é capaz de fornecer oxigênio mesmo que o paciente não seja capaz de respirar por conta própria.

UTI - IntubaçãoPara se acoplar o paciente em um ventilador mecânico é necessário primeiro que o mesmo seja submetido a intubação das vias respiratórias. A intubação orotraqueal consiste na introdução pela vias aéreas de um tubo plástico. Uma extremidade do tubo fica localizado bem ao final da traquéia, logo antes do início de ambos os pulmões, e a outra por fora da boca, onde será ligado o ventilador mecânico.

Doentes que necessitam de ventilação mecânica por vários dias são normalmente submetidos a uma traqueostomia. Deste modo o tubo pode ser ligado diretamente a traquéia, não precisando mais passar pela boca. Isso reduz os riscos de complicações como lesões das cordas vocais, pneumonias e extubações involuntárias.

- CATETERISMO VESICAL -

UTI - Cateter vesicalTodo doente com sinais de instabilidade hemodinâmica é submetido ao cateterismo da bexiga. Deste modo conseguimos aferir precisamente o débito urinário do paciente. Além de ajudar na avaliação do funcionamento dos rins, que é um dos primeiros a sofrer quando há instabilidade, a quantidade de urina produzida em 24 horas nos auxilia no planejamento do volume de soro que será infundido ao longo do dia.

- HEMODIÁLISE -

A insuficiência renal aguda é uma complicação comum nos pacientes em estado crítico internados em um CTI. A máquina de hemodiálise procura fazer o papel do rins, controlando o volume de água do corpo, os níveis de eletrólitos e filtrando as toxinas.

UTI - Hemodiálise

Existem vários outros procedimentos médicos invasivos realizados em uma UTI. Os que foram descritos são apenas os mais comuns. É importante frisar que o paciente que necessita de UTI normalmente apresenta falência de um ou mais órgãos vitais. Os procedimentos acima visam monitorar e substituir essas funções até que o organismo seja novamente capaz de desempenhar esse trabalho por conta própria.

POR QUE OS PACIENTES NA UTI FICAM INCHADOS?

Uma das coisas que mais chamam a atenção dos familiares de pacientes internados em um CTI é o edema (inchaço) generalizado que os doentes apresentam.

Mas por que os pacientes incham tanto?

Primeiro é necessário entender 3 conceitos:

1- Nossos vasos sanguíneos apresentam poros microscópicos que permitem a passagem de água de dentro para fora e de fora para dentro. Toda vez que há um aumento da pressão dentro dos vasos, como por exemplo por excesso de água, ou quando há um estado de inflamação que aumente o tamanho dos poros, ocorre transferência de água dos vasos para os tecidos.

2- A água do corpo se localiza em 3 compartimentos: dentro dos vasos, dentro das células ou no interstício (espaço que existe entre uma célula e outra).

3- O edema é o acumulo de líquido no interstício. Pode ocorrer no cérebro, nos pulmões, nas cavidade abdominal etc... O mais visível e comum é o edema no interstício do tecido cutâneo (pele).

Em um indivíduo normal, 60% do peso é composto de água. Ou seja , uma pessoa de 70kg tem 42 kg ou litros (1L de H2O = 1kg) só de água. Desses 42 litros, 28L estão dentro das células, 11L no interstício e apenas 4L dentro dos vasos, diluindo o sangue.

O edema ocorre quando há um desbalanço nesta distribuição em favor do interstício.

Doentes internados em UTI apresentam vários fatores que favorecem a formação do edema.

- Pacientes em choque recebem uma quantidade enorme de líquidos na tentativa de elevar a pressão arterial. Recebem mais líquidos do que podem excretar. O excesso vai todo para o interstício.

- Muitas vezes os pacientes apresentam insuficiência renal o que impede a eliminação do excesso da água administrada.

- Doentes graves apresentam um estado inflamatório sistêmico, o que favores a saída de água dos vasos para o interstício e impede a sua recaptação.

Quando o edema é só na pele, não há grandes riscos. É basicamente uma consequência do estado grave do 

paciente. Conforme há melhora do quadro clínico, o organismo consegue restaurar a distribuição normal

 da água corporal. Em geral, quando recebem alta hospitalar, os pacientes já não estão mais inchados.

Cólica Menstrual


cólica menstrual, chamada em medicina de dismenorreia, é uma das queixas ginecológicas mais comuns. Dividimos as cólicas menstruais em duas categorias: dismenorreia primária, que é a cólica menstrual que surge sem que haja alguma doença ginecológica por trás; e dismenorreia secundária, que é aquela causada por doenças ginecológicas, como endometriose, miomas ou infecções.

Cólica menstrual | Incidência

A cólica menstrual surge tipicamente em adolescentes, geralmente um ou dois anos após a menarca (primeira menstruação), época em que o ciclo hormonal ovulatório já encontra-se estabelecido.Até 90% das adolescentes e 1/4 das mulheres adultas sofrem de cólicas menstruais. Não existe diferença de prevalência entre mulheres de diferentes etnias ou nacionalidades, mas a dismenorreia tende a melhorar conforme a mulher envelhece.
Cólica menstrual

A dismenorreia em si não causa grandes problemas de saúde, porém em algumas mulheres a cólica é tão intensa que compromete seus afazeres diários.

Como referido na introdução deste texto, dividimos as cólicas menstruais em dois grupos: dismenorreia primária e dismenorreia secundária. Neste texto vamos dar ênfase à dismenorreia primária, aquela que surge sem que haja uma doença ginecológica por trás. Todavia, antes de prosseguirmos, vale a pena perdemos 2 ou 3 linhas resumindo a dismenorreia secundária.

Dismenorreia secundária

Ao contrário da dismenorreia primária, que surge logo após as primeiras menstruações, a dismenorreia secundária geralmente surge em mulheres após seus 20-30 anos. Para ser caracterizada como dismenorreia secundária, a cólica menstrual precisa ter como causa, ou fator agravante, alguma condição ginecológica identificada. As mais comuns são: 

- Endometriose (leia: ENDOMETRIOSE | Sintomas e tratamento)- Miomas uterinos (MIOMA UTERINO | Sintomas, causas e tratamento)- Doença inflamatória pélvica (infecção dos órgãos reprodutivos femininos, geralmente causada por uma doença sexualmente transmissível)- Estenose do canal cervical (abertura do colo do útero tão pequena que impede a saída do fluxo menstrual)- Uso de DIU 

Dismenorreia primária

A partir de agora, sempre que falarmos em cólica menstrual estaremos nos referindo à dismenorreia primária.

Durante muitos anos a cólica menstrual foi um sintoma que recebeu pouca importância, sendo a dor frequentemente associada a condições emocionais e psicológicas das mulheres. Entretanto, atualmente já conhecemos o mecanismo fisiopatológico que leva às cólicas menstruais, não havendo relação com estado emocional, personalidade da paciente ou estresse.

Durante o ciclo menstrual a parede do útero vai se tornando mais grossa e vascularizada à espera da implantação de um possível embrião. Se o óvulo liberado não é fecundado, a queda nos níveis hormonais faz com esse excesso de parede do útero desabe, caracterizando a menstruação (se você quiser ler sobre o ciclo menstrual: CICLO MENSTRUAL | PERÍODO FÉRTIL).

Durante o descolamento da parede uterina, isto é, durante a menstruação, há a liberação de uma substância chamada prostaglandina, que causa contrações no útero. Essas contrações são importantes para que o útero expulse todo o tecido uterino descamado. Todavia, em algumas mulheres as contrações são tão intensas que até mesmos os vasos sanguíneos que irrigam o útero ficam comprimidos, causando uma isquemia temporária do mesmo (angina do útero). As mulheres que costumam ter intensas cólicas menstruais geralmente apresentam níveis elevados de prostaglandina no fluido menstrual.

Cólicas menstruais | Fatores de risco

O principal fator de risco é a idade; as cólicas são comuns em mulheres antes dos 20 anos e vão melhorando conforme a mulher envelhece. Entretanto, algumas pacientes podem continuar apresentando quadros de cólica menstrual muito incômodos mesmo com o passar com anos. Entre os fatores de risco para a dismenorreia, podemos citar:

- Menarca (primeira menstruação) antes dos 12 anos- Índice de massa corporal (IMC) menor que 20 ou maior que 30 (para entender o IMC. leia: OBESIDADE | SÍNDROME METABÓLICA | Definições e consequências)- Menstruação volumosa ou com duração de vários dias- Ciclos menstruais irregulares - Tabagismo (leia: MALEFÍCIOS DO CIGARRO | Tratamento do tabagismo)- História familiar de dismenorreia- Nuliparidade (nunca ter tido filhos)

Cólica menstrual | Sintomas

A cólica menstrual é uma dor que caracteristicamente inicia-se junto, ou logo antes da menstruação, amenizando progressivamente nas primeiras 72 horas. As cólicas são intensas e intermitentes, tendendo a localizar-se na região inferior do abdômen. Em algumas mulheres a dor pode irradiar-se para as costas ou membros inferiores (para saber mais sobre outras causas de dor abdominal, leia: DOR NA BARRIGA | DOR ABDOMINAL | Principais causas). Náuseas, suores, diarreia, tonturas, dor de cabeça e cansaço podem surgir junto com as cólicas.

Cólica menstrual | Tratamento

O remédio de primeira linha no tratamento das cólicas menstruais são os anti-inflamatórios (AINES), que agem diminuindo a liberação das prostaglandinas (leia: ANTI- INFLAMATÓRIOS | Ação e efeitos colaterais) e apresentam boa resposta em até 90% dos casos. Atualmente o mais indicado é o Ácido Mefenâmico (Ponstan®), mas há dúvidas se este é realmente superior aos outros anti-inflamatórios no controle da cólica.

Outra opção além dos AINES são os anticoncepcionais orais, que ao controlar os níveis hormonais fazem com menstruação e as cólicas sejam menos intensas. Os anticoncepcionais em injeção ou adesivo também funcionam.

Mulheres que não respondem aos tratamento acima devem ser investigadas para dismenorreia secundária.

Em relação a tratamentos caseiros para as cólicas menstruais, o uso de bolsas de água quente são efetivos para aliviar as dores. Exercícios físicos regulares, ingestão de líquidos e uma dieta pobre em gorduras também são indicados e melhoram as cólicas

A acupuntura é uma opção, mas ainda não existem evidências inequívocas de que este procedimento seja superior ao placebo.

26 de ago. de 2011

Cuidados com os Pacientes


Finalidades:
- Conforto do cliente externo durante o período de observação pós exame e monitorização dos sinais vitais.

Material Necessário
- Maca com grades, suporte de soro, esfigmomanômetro, estetoscópio, termômetro, comadre e papagaio.

Pré - Execução:
Prepara a maca para receber o cliente da sala;
- Manter ambiente calmo.

Execução:
- Acomodar a maca com as grades elevadas no box;
- Verificar sinais vitais;
- Avaliar nível de consciência;
- Oferecer material para eliminação das funções fisiológicas, conforme solicitado;
- Observar local da punção, avaliando presença de sangramento ou hematomas;
- Fornecer dieta pós-exame;
- Manter cliente de forma confortável durante período de repouso.

Pós - Execução:
Retirar as roupas da maca, desprezando-as no hamper;
- Proceder à limpeza da maca;
- Deixar o ambiente em ordem após a saída do cliente.

Avaliação:
- Conforto, sangramento local e alteração dos sinais vitais.

Riscos / Tomada de Decisão:
- Instabilidade hemodinâmica do cliente
- Monitorar os sinais vitais, comunicar o médico;
- Sangramento no local da punção – Realizar compressão local e comunicar o médico.

24 de ago. de 2011

Cirurgia Cardíaca

A cirurgia cardíaca é um procedimento cirúrgico no coração e/ou grandes vasos feito por um cirurgião cardíaco. Freqüentemente a cirurgia cardíaca é feita para tratar complicações de doença cardíaca isquêmica (por exemplo, cirurgia de ponte de safena), corrigir doença cardíaca congênita, ou tratar doença das válvulas cardíacas decorrente de muitas causas incluindo endocardite. A cirurgia cardíaca também inclui o transplante de coração.

Cirurgia cardíaca fechada

A cirurgia no grandes vasos foi seguida pelo desenvolvimento da cirurgia cardíaca fechada, na qual pequenas incisões são feitas e o cirurgião trabalha sobre o coração batendo. 

Operações sob hipotermia

Depois foi descoberto que o reparo das patologias intracardíaca requeriam um ambiente parado e sem sangue. Isso significava que o coração deveria ser parado e drenado de sangue. A primeira correção intracardíaca bem sucedida de defeito congênito no coração usando hipotermia foi feita na University of Minnesota em 1952. No ano seguinte, o cirurgião soviético Aleksandr Aleksandrovich Vishnevskiy conduziu a primeira cirurgia cardíaca com anestesia local.

Cirurgia aberta do coração
   Essa é a cirurgia na qual o peito do paciente é aberto e a operação é realizada sobre o coração. O termo     "aberta" refere-se ao peito e não ao coração em si, o qual pode ser aberto ou não dependendo do tipo particular da cirurgia.Cirurgia moderna com o coração batendo. Nos anos 90 os cirurgiões começaram a realizar operações com o coração batendo porém estabilizado para ter uma área quase parada. Alguns pesquisadores acreditam que esse método resulta em menos complicações pós-operatórias e melhores resultados gerais.
Cirurgia minimamente invasiva

Uma nova forma de cirurgia cardíaca, que tem crescido em popularidade, é a auxiliada por robô. Nessa cirurgia a máquina é utilizada para fazer a operação guiada pelo cirurgião. A principal vantagem dessa cirurgia é o tamanho menor da incisão feita. Ao invés de uma incisão grande o suficiente para o cirurgião inserir aos mãos, precisa-se apenas de 3 pequenos buracos. Esse tipo de cirurgia diminui o tempo de recuperação do paciente.

Riscos da cirurgia cardíaca
O desenvolvimento da cirurgia cardíaca diminuiu a taxa de mortalidade a níveis relativamente baixos. Por exemplo, a cirurgia para reparação de defeitos cardíacos congênitos têm atualmente em torno de 4-6% de taxa de mortalidade. Uma preocupação importante na cirurgia cardíaca é a incidência de dano neurológico. Derrame cerebral ocorre em 2-3% das pessoas que passam por cirurgia cardíaca.

Fotos de uma Cirurgia Cardíaca