21 de set. de 2011

Hepatites

O mapa das hepatitesLevantamento identifica quantos são e onde estão os portadores de diferentes formas da enfermidade no país Ricardo Zorzetto


O Brasil começa a conhecer, por fim, as dimensões de um grave problema de saúde que os especialistas vêm chamando de doença silenciosa: as hepatites virais, enfermidades que apresentam os mesmos sinais clínicos, embora sejam causadas por tipos distintos de vírus que se alojam no fígado e disparam uma inflamação que o agride. Na quinta-feira 28 de julho, Dia Mundial da Hepatite, o Ministério da Saúde divulgou os resultados do mais amplo levantamento sobre essas enfermidades já feito no país. Durante sete anos, um batalhão de quase mil pesquisadores chefiados pela hepatologista Leila Beltrão Pereira e pelo epidemiologista Ricardo Ximenes, ambos da Universidade de Pernambuco (UPE), e pela biomédica Regina Moreira, do Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, entrevistou e colheu amostras de sangue de 26.102 pessoas em todas as capitais brasileiras e no Distrito Federal.
O cenário delineado por esse trabalho ganha contornos mais definidos com os achados recentes de outras equipes brasileiras. Em vez de levantar a taxa de pessoas infectadas na população, o grupo do médico e bioquímico João Renato Rebello Pinho na Universidade de São Paulo (USP) foi atrás de comunidades dispersas pelo país em que sabidamente o índice de infecção é elevado, a fim de mapear as variedades do vírus em circulação. Outro trabalho, do qual participaram pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), projetou a evolução das taxas de hepatite até o final desta década. Vistos em conjunto, esses resultados podem orientar com mais precisão o combate às hepatites.
As conclusões preliminares do levantamento populacional, o Inquérito nacional de prevalência de hepatites virais, revelam um quadro melhor que o reportado anteriormente pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A agência internacional classificava o Brasil como tendo alta concentração de casos de hepatite A; baixa de hepatite B, com exceção da Região Norte, onde seria elevada; e intermediária da hepatite C. Segundo o estudo encomendado pelo ministério, a prevalência das três formas mais comuns de hepatite oscila de moderada – caso da A nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste – a baixa, como ocorre com a B e a C, menos frequentes e mais agressivas. “Esse trabalho muda o mapa das hepatites no Brasil”, afirma Leila, coordenadora da pesquisa. “A concentração de casos só é alta na Amazônia, mesmo assim em algumas regiões como a do rio Javari [na divisa do Brasil com o Peru]”, diz.


A análise do sangue de 6.468 crianças e adolescentes mostrou que, em média, 39,5% apresentavam anticorpos contra o vírus da hepatite A, a mais frequente no mundo, que a cada ano atinge 1,4 milhão de pessoas. A detecção desse anticorpo é um sinal de que eles já tiveram contato com o agente causador da enfermidade, mas não significa que estivessem doentes no momento da pesquisa. Transmitido pelo consumo de água e alimentos contaminados, o vírus da hepatite A não causa grandes danos ao organismo de crianças e adolescentes. Cerca de metade dos infectados nem chega a apresentar sinais da enfermidade. Na outra metade, após 15 a 45 dias de incubação, o vírus pode provocar febre, mal-estar, desconforto abdominal, deixar a pele e os olhos amarelados (icterícia) e a urina cor de Coca-Cola, consequência de uma inflamação passageira no fígado. Quase sempre o vírus é eliminado do corpo sem exigir tratamento específico além de repouso, embora existam casos raros, em geral entre adultos, em que a infecção progride de modo agressivo e leva à morte em poucas semanas (ver quadro abaixo). Passada a fase aguda da infecção, a pessoa se torna imune ao vírus.


“Vinte anos atrás a proporção de crianças e adolescentes infectados pelo vírus da hepatite A era de 90%”, conta o hepatologista Flair José Carrilho, professor titular de gastroenterologia da Faculdade de Medicina da USP e responsável pela parte do levantamento realizada no estado de São Paulo.
Um dos motivos da redução na taxa de hepatite A, de acordo com o governo, é a melhora do saneamento básico. O número de domicílios com água tratada aumentou de 78% para 83% na última década e o de residências com acesso à rede de esgoto, de 47% para 55%, segundo comparação entre os censos de 2000 e 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A distribuição dos casos de hepatite A, como se pode imaginar, não é homogênea. A frequência cresce do Sul para o Norte do país – vai de 31% nas capitais sulinas a 58% nas da Região Norte –, onde a rede de água e de coleta de esgoto é menor. “Esses números mostram a influência do acesso ao saneamento, que é menor nestas capitais e favorece a circulação do vírus”, observa Dirceu Greco, diretor do Departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. Atualmente técnicos do ministério e especialistas de diversas regiões avaliam os custos e os benefícios de incluir no Programa Nacional de Imunização a vacina contra hepatite A, hoje distribuída só em áreas de alto risco. “Com a redução da prevalência dessa hepatite entre crianças e jovens, surge o risco de que as pessoas passem a se infectar mais tarde na vida, quando aumenta a probabilidade de complicações”, diz Greco.


O quadro se torna mais complexo quando se analisam os dados das hepatites B e C. Os pesquisadores mediram no sangue de 19.634 participantes com 10 e 69 anos de idade a presença de três proteínas indicadoras de infecção pelo vírus B e uma pelo C. Verificaram que 7,4% já haviam sido contaminados pelo vírus B, embora só 0,4% apresentasse hepatite no momento da pesquisa, e que 1,4% havia contraído o vírus C.
À primeira vista, esses números são mais animadores que os da OMS, mas a redução nas taxas das hepatites pode não ser tão expressiva assim. Os documentos da OMS se baseavam em dados antigos, de estudos feitos com poucas pessoas – em geral, doadores de sangue – e em áreas restritas. “O resultado do levantamento nacional não chega a ser uma surpresa para os médicos”, afirma Fernando Gonçales Junior, da Unicamp. “Testes feitos nos bancos de sangue já indicavam taxas de infecção ativa de 0,5% para a hepatite B e 1,4% para a C”, conta.

Num trabalho feito em parceria com pesquisadores estrangeiros e com o gastroenterologista Henrique Coelho, da UFRJ, Gonçales reuniu informações de 150 artigos científicos latino-americanos sobre hepatite e dados fornecidos pelo sistema de saúde de quatro países (Argentina, Brasil, México e Porto Rico) para alimentar um modelo matemático capaz de projetar a evolução da hepatite C nos próximos anos. A tendência, descrita em artigo na Liver Internacional de julho, é que o número total de casos aumente, mas a proporção se mantenha estável (em 1,5% no caso do Brasil) até 2021.
A limitação do inquérito nacional, segundo os especialistas, é ter sido feito apenas com a população das capitais e do Distrito Federal, embora a amostra seja grande e representativa de um quarto dos brasileiros. “O inquérito tem grande valor por mapear essas enfermidades em nível nacional, mas não podemos esquecer que as doenças têm fatores socioeconômicos e ambientais como determinantes, em especial a hepatite A”, afirma a médica sanitarista Rosangela Gaze, do Laboratório de História, Saúde e Sociedade da Faculdade de Medicina da UFRJ. “A frequência dessa hepatite pode variar bastante, mesmo nas capitais”, diz a pesquisadora.

Caso os índices obtidos no levantamento possam ser extrapolados para toda a população, calcula-se que existam 3,5 milhões de brasileiros com as formas mais graves de hepatite – cerca de 800 mil com hepatite B e 2,7 milhões com hepatite C –, seis vezes o número estimado de portadores do vírus da Aids. “É mesmo um número grande”, reconhece Greco, do ministério. Juntas, as pessoas com essas duas formas de hepatite, que aumentam o risco de desenvolver cirrose e câncer de fígado ao longo da vida, ocupariam uma cidade como Salvador, na Bahia, a terceira maior do país. “Esses dados vão gerar uma discussão importante sobre o financiamento da terapia das hepatites, que é bastante dispendiosa”, afirma Carrilho. “O Sistema Único de Saúde não tem como bancar tudo”, diz.
Por sorte, nem todos os infectados precisam de tratamento. Estudos internacionais que acompanharam a evolução natural das hepatites indicam que até 90% das pessoas que contraem o vírus B sofrem uma inflamação aguda, que dura poucas semanas, e conseguem controlar a proliferação do vírus sem desenvolver hepatite crônica. Mesmo assim, a quantidade de pessoas que precisaria de medicação é elevada: cerca de 160 mil. Entre os portadores do vírus C, cujo tratamento é menos eficaz, o número é quase 10 vezes maior, já que apenas em 20% dos casos a infecção não se torna crônica.
Só uma pequena parcela, porém, descobre a doença e chega ao serviço público de saúde – em geral quando o problema está avançado e os sinais clínicos são evidentes. “Esses casos costumam ser mais graves, com menos chance de cura”, diz Carrilho. Na última década, o ministério contabilizou 104 mil casos de hepatite B e 70 mil de hepatite C (ver quadro abaixo). E em 2010 gastou entre R$ 250 milhões e R$ 300 milhões para custear o tratamento de 24 mil pessoas com uma dessas duas formas de hepatite.

Uma das razões do subdiagnóstico é que a evolução das hepatites B e C é muito lenta. Podem-se passar de 20 a 30 anos até que o fígado, órgão esponjoso e macio ao toque, comece a enrijecer em consequência da cirrose, cicatrização de lesões causadas pelo vírus e pela ação do sistema de defesa do organismo – nesse estágio, costumam surgir varizes no abdômen e no esôfago, aflorar na pele pequenas veias com formato de teia de aranha e aumentar o risco de hemorragias. “O professor Luiz Caetano da Silva, um dos pioneiros da hepatologia no Brasil, costumava dizer que o fígado sofre calado”, lembra Carrilho, de quem foi aluno no doutorado.

O ministério tenta ampliar a detecção precoce com campanhas para a realização de testes. Em agosto começaram a ser distribuídos para 17 centros públicos kits de diagnóstico rápido das hepatites B e C, que reduz o tempo de espera pelo resultado de duas semanas para meia hora. Este ano também começou a ser avaliado pelos quatro maiores hemocentros do país (São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Pernambuco) a versão brasileira de um teste molecular para identificar no sangue o vírus da hepatite C – e não os anticorpos, que permanecem no organismo mesmo após a eliminação do vírus. Desenvolvido pela equipe de Antonio Gomes Pinto Ferreira e Marco Aurélio Krieger, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com o Instituto de Tecnologia do Paraná e a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia, o exame é produzido pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fiocruz, o Bio-Manguinhos, e deve diminuir de 70 para 10 dias o tempo de diagnóstico.
O risco de contaminação por hepatite C em transfusões sanguíneas é baixo no país, conta Ester Sabino, chefe do departamento de biologia molecular da Fundação Pró-Sangue/Hemocentro de São Paulo. A cada 200 mil bolsas de sangue, uma está infectada pelo vírus. Ester acredita, porém, que a adoção do teste molecular produzirá o efeito observado nos Estados Unidos, onde é usado desde 2000: baixar a taxa de infecção para uma bolsa a cada milhão. 
“Com o desenvolvimento de testes de maior sensibilidade e especificidade, as hepatites vêm se tornando mais visíveis e detectadas mais frequentemente”, diz Rosangela, que em seu doutorado investigou a influência das mudanças tecnológicas no diagnóstico das hepatites nos séculos XVIII e XIX por meio do estudo das teses acadêmicas da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, hoje integrada à UFRJ. “Mas não houve a mesma evolução em termos de tratamento e prevenção”, afirma.
Cinco ou seis medicamentos são usados – isoladamente ou combinados – para tratar as hepatites mais graves. Contra o B, os médicos costumam indicar lamivudina, adefovir, tenofovir ou entecavir, que podem ou não ser associados a um composto que imita uma molécula de ação antiviral produzida naturalmente pelo organismo, o interferon. Na maioria dos casos, esses compostos controlam de modo eficiente a reprodução do vírus, mas não o eliminam do organismo. É que o vírus da hepatite B em alguns casos insere um trecho de seu material genético (DNA) entre os genes da célula infectada e assume o controle. Assim, ele consegue se manter dormente em algumas delas e anos mais tarde voltar à ativa, motivo por que muitos portadores do vírus B voltam a ter hepatite após um transplante de fígado.
As terapias que funcionam contra a hepatite B, no entanto, nem sempre dão certo contra a C, mais agressiva e letal. Uma das estratégias mais adotadas contra a hepatite C é a associação de interferon e do antiviral ribavirina. A combinação, que costuma curar apenas 40% das infecções por algumas variedades do vírus C, deve ganhar nos próximos meses o reforço de dois outros compostos: o telaprevir e o boceprevir, já aprovados para comercialização pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que elevaram para 70% o índice de sucesso nos testes clínicos.

Por trás do sucesso parcial dos tratamentos estão as características genéticas dos vírus da hepatite, que variam muito. Desde a identificação do primeiro agente viral da hepatite – o vírus B – por Baruch Blumberg em 1965, outros cinco tipos já foram descritos: A, C, D, E e G (ver quadro abaixo). Mas as sutilezas não acabam aí. A sofisticação dos métodos de diagnóstico permitiu diferenciar os tipos em subtipos – os genótipos, descritos por números ou letra maiúscula. E estes em subsubtipos: os subgenótipos, representados por números ou letra minúscula.


Há seis anos a equipe de João Renato Rebello Pinho, do Laboratório de Gastroenterologia e Hepatologia Tropical do Instituto de Medicina Tropical da FMUSP, trabalha na identificação dos genótipos e subgenótipos dos vírus do Brasil e de outros países da América do Sul. O objetivo é saber quais variedades circulam por aqui e onde estão. Os dados obtidos até agora, descritos em quase uma dúzia de artigos científicos, refinam o conhecimento sobre as hepatites na América do Sul e devem ajudar a reconstituir a história evolutiva dos vírus B e C no continente.
“Não esperávamos encontrar uma variedade tão grande”, afirma a microbióloga colombiana Mónica Viviana Alvarado-Mora, aluna de doutorado de Pinho. Em parceria com equipes de outras regiões do Brasil e também do Chile, da Colômbia e da Venezuela, o grupo de Pinho identificou pela primeira vez na América do Sul uma variedade do vírus da hepatite B que se pensava ser exclusiva da África. Trata-se do vírus B do subgenótipo E, encontrado em Quibdó, comunidade de afrodescendentes no oeste da Colômbia. Testes moleculares que calculam a taxa de acúmulo de mutações no material genético ao longo do tempo sugerem que essa variedade do vírus foi introduzida uma só vez nessa região da América do Sul, mas não se sabe quando.
Cruzando a Colômbia, Mónica coletou amostras de sangue em comunidades de quatro diferentes regiões e, pela primeira vez, identificou a taxa de prevalência das hepatites e os genótipos dos vírus B e C mais comuns no país. Entre os vírus B, encontrou duas das quatro variedades do genótipo F, mais comum entre os ameríndios, e uma do G, segundo artigo publicado este ano na Infection, Genetics and Evolution. Também viu algo inesperado: a elevada prevalência do subgenótipo A2, típico de europeus, na capital, Bogotá. Já do vírus C, a variante mais comum foi a 1b, sinal de que na Colômbia a transmissão dessa forma de hepatite se deve mais à transfusão de sangue infectado do que ao uso de drogas injetáveis. “A taxa de infecção vem caindo desde a adoção pelos bancos de sangue dos testes para detectar o vírus C”, afirma.
O grupo encontrou ainda evidências de que a vacinação contra a hepatite B é efetiva no Brasil. “A imunização contra o vírus B vem reduzindo a prevalência do vírus da hepatite Delta [ou D] genótipo 3, encontrado só na Amazônia”, diz Mónica. Diferentemente dos outros vírus, o D é defeituoso e só invade células infectadas pelo B. “Essas informações são importantes para definir a melhor estratégia de tratamento e para o desenvolvimento de testes de diagnóstico mais específicos”, afirma Pinho.


O mais eficaz, porém, é se proteger ao máximo do contágio. Uma das maneiras é evitar o contato com sangue e outros fluidos corporais, usando preservativo nas relações sexuais e limpando adequadamente objetos de uso cotidiano, como alicates e talheres. Até 100 vezes mais infeccioso que o vírus da Aids, o vírus da hepatite B está presente no sangue, no sêmen e na saliva. A forma mais frequente de transmissão no Brasil é a prática de sexo sem camisinha, embora também ela possa ocorrer pelo compartilhamento de objetos de uso pessoal ou um simples beijo. 
Outra maneira de evitar a hepatite B é a vacinação. “Desde os anos 1980 existe vacina segura e eficaz contra a hepatite B”, lembra Rosangela, “mas no Brasil ainda imunizamos muito menos pessoas do que poderíamos”. 
Desde 1998 o Programa Nacional de Imunizações recomenda a vacinação logo após o nascimento. Hoje 85% das crianças brasileiras com até 18 meses de idade recebem as três doses. Mas essa taxa cai para menos de 30% entre os adolescentes, que estão para iniciar a vida sexual. “Muitos recebem a primeira dose, mas não tomam as demais”, comenta Gonçales, da Unicamp. Na opinião de Rosangela, é preciso adotar estratégias para lembrar a população. “A hepatite B é veiculada mais facilmente do que outras doenças sexualmente transmissíveis e não podemos esperar que as pessoas se lembrem de tomar todas as doses”, diz.
A comercialização de uma vacina contra a hepatite B desenvolvida pelo Instituto Butantan, em São Paulo, baixou de US$ 90 para R$ 1,5 o custo das três doses. Neste ano o ministério ampliou a faixa etária de vacinação gratuita para até 24 anos – a partir de 2012 a vacina será oferecida para pessoas com até 29 anos. “Queremos imunizar toda a população nessa faixa”, diz Greco.
Contra a hepatite C ainda não há vacina. Mas um resultado apresentado em 3 de agosto na Science Translational Medicine traz alguma esperança. O grupo de David Klatzmann, da Universidade Pierre e Marie Curie, na França, chegou a uma possível estratégia para produzir uma vacina recombinante. Os pesquisadores inseriram cópias de genes do vírus da hepatite C no vírus do sarampo e aplicaram em camundongos e macacos. Tanto o organismo dos roedores como o dos primatas produziram anticorpos contra uma ampla variedade de vírus da hepatite C.


1. KERSHENOBICH, D. et al. Trends and projections of hepatitis C virus epidemio-logy in Latin America. Liver International. v. 31. sup. s2. pp. 18-29. Jul 2011.
2. NAKATANI, S. M. et al. Development of hepatitis C virus genotyping by real-time PCR based on the NS5B region. PLoS One. v. 5 (4). Abr. 2010.
3. ALVARADO-MORA, M.V. et al. Molecular epidemiology and genetic diversity of hepatitis B virus genotype E in an isolated Afro-Colombian community. Journal of General Virology. v. 91, p. 501-8. 2010.

20 de set. de 2011

Hidrocefalia Infantil


HIDROCEFALIA INFANTIL
Nomes populares:
Líquido na cabeça; "água" na cabeça; cabeça d'água.

O QUE É?
Hidrocefalia é o acúmulo anormal e excessivo de líquor dentro dos ventrículos ou do espaço subaracnóide. É tipicamente associado com dilatação ventricular e aumento da pressão intracraniana; pode ocorrer em crianças (diversas faixas etárias) ou adultos, tendo causas específicas.
Pode ser classificado como hidrocefalia comunicante ou não comunicante, dependendo da sua etiologia; outro termo utilizado é a hidrocefalia ex-vácuo, quando relacionado com atrofia cerebral
Hidrocéfalo não comunicante se refere a hidrocefalia que resulta de lesões que obstruem o sistema ventricular e hidrocéfalo comunicante se refere a lesões que afetam e obstruem o espaço subaracnóide.


CAUSAS:
Algumas causas de hidrocefalia infantil podem ser por obstrução liquórica, tais como: gliose, cisto colóide, gliomas, craniofaringeomas, cistos de aracnóide, meduloblastomas, ependimomas, astrocitomas, tumores, estenose.
Outras causas de hidrocefalia comunicante são: 
 
trauma
hemorragia subaracnóide
infecção
Idiopática
É importante considerar em crianças prematuras a hemorragia intraventricular com hidrocéfalo pós-hemorrágico (ocorre cerca de 4 semanas após).

 O QUE SE SENTE?

Feto com aproximadamente 24 semanas. À esquerda, perfil normal e, à direita, com hidrocefalia. As deformidades ocorrem porque, durante o desenvolvimento encefálico e perdurando até os 2 anos de idade, os ossos do crânio são unidos por membranas fibrosas que somente mais tarde se ossificarão. A pressão exercida pelo cérebro em expansão faz com que o crânio cresça em um ritmo anormalmente acelerado e deformado (fotografia e arte digital de Dr. Hermes Prado Jr)

A variação da sintomatologia vai estar diretamente ligada à faixa etária da criança. 


prematuros/lactentes:
apnéia, bradicardia, fontanela tensa, veias do escalpo dilatadas, formato do crânio globóide, aumento do perímetro cefálico (vários centímetros em poucos dias)
Infantes:
irritabilidade, vômitos, náuseas, macrocefalia, fontanela tensa, dificuldade para fixação e controle da cabeça, alteração ocular (sinal do "sol poente" - compressão mesencefálica).
crianças mais velhas:
dor de cabeça, vômitos, letargia, diplopia, edema de papila, hiperrreflexia, clônus.


COMO O MÉDICO FAZ O DIAGNÓSTICO?
A suspeita de hidrocefalia deve ser feita nas crianças que têm os sintomas descritos anteriormente; verificação na anamnese com a mãe sobre dados do pré-natal, exame neurológico (com medição de perímetro cefálico diário).
Devem ser considerados exames complementares como: ultra-som (para verificação de tamanho ventricular, massas), tomografia de crânio e ressonância magnética de crânio, para ajudar no diagnóstico.

 COMO SE TRATA?
Utilizam-se medidas para fazer o escoamento desse excesso de líquor ventricular com a adoção de válvulas para drenagem deste líquido para o peritônio (derivação ventrículo peritonial - DVP); ou para o átrio (derivação ventrículo atrial - DVA).
Existem algumas medicações que fazem baixar a produção liquórica (acetazolamida), porém nem sempre tão eficientes.
É importante salientar que são crianças que necessitam de acompanhamento neurológico intenso e verificação do grau de desenvolvimento que pode ou não sofrer prejuízo.


Fotos


19 de set. de 2011

Segurança do Paciente...


Precisamos rever nosso conceito de CUIDAR! Se conseguíssemos entender que estamos lidando com VIDA. Vida essa que poderia ser de alguém bem próximo de você. Trate os outros como quer ser tratado afinal um dia talvez seremos nós OS PACIENTES. Preste atenção no que será falado!

15 de set. de 2011

Mito ou Verdade... Aumento Peniano


Márcia Moreno
Especial para o UOL Ciência e Saúde em São Paulo

A preocupação com o tamanho do pênis é muito comum entre os homens.  Nos consultórios de urologia, este problema perde apenas para dois outros assuntos também delicados: ejaculação precoce e disfunção erétil. E ao lado da grande preocupação há a vasta oferta de medicamentos, dispositivos, manuais de exercícios e até cirurgias para se tornar bem-dotados.
“Nada disso funciona na fase adulta”, diz Geraldo Faria, urologista e presidente da Sociedade Latino-Americana de Medicina Sexual, que destaca que é preciso ter cuidado com as promessas e milagres oferecidos. “Temos visto em nossos consultórios pacientes com graves sequelas resultantes de um grande apelo que promete de tudo”.
O discurso é reforçado pelo urologista e secretário geral da Sociedade Brasileira de Urologia, Eduardo Lopes: “Não há base científica nestes métodos”.  E mais: eles garantem que o tamanho do pênis não é importante. “A vagina tem de 8 a 10 centímetros de profundidade e é apenas no terço externo que a mulher tem sensibilidade aos estímulos”, conta Lopes. “Um pênis com 9 centímetros é suficiente para dar prazer a uma mulher”, afirma Carlos Araújo,  cirurgião geral e vascular, especializado na área de andrologia.  Vale lembrar que o tamanho médio do pênis do brasileiro é 14 centímetros.
A ansiedade de querer aumentar o pênis pode ocorrer desde a infância. Foi o que aconteceu com Leonardo (nome fictício). O estudante de engenharia civil de 19 anos sofre desde criança. “Quando era pequeno, com 7 anos, fui passar um final de semana com meus tios e primos na praia. Na hora de tomar banho, era alvo de piada. Todos falavam que meu pênis era muito pequeno. Desde então, fiquei com trauma de ficar nu na frente dos outros”, fala.

“Eu sempre me escondia para me trocar em vestiários da escola e academia. Na maioria das vezes, ia tomar banho em casa, com vergonha de alguém me ver sem roupa”. Esta mágoa foi se acumulando até a adolescência, quando o rapaz decidiu que deveria tomar providências. 
Aos 16 anos, ele mediu: “meu pênis ereto tinha apenas 10 centímetros”. Resolveu que faria algo para mudar a situação.

Com amigos, conseguiu um manual de exercícios que prometia o aumento do pênis em até 3 cm. “Eu fazia os exercícios todos os dias por quase uma hora”. Foi assim durante vários meses, até que notou que estava se machucando. “Fui a um urologista que pediu para parar com os exercícios, pois já estava com uma fibrose. Tive acompanhamento psicológico e percebi que nada poderia ser feito. Meu problema estava na cabeça e não no pênis”, conta. 
“O pior é que em casos assim, o rapaz não tem para quem reclamar ou recorrer, pois tem vergonha. Existe uma indústria paralela que explora as pessoas”, afirma Lopes.  “O homem não pode ficar limitado ao tamanho. Se perguntarmos, a maioria deles vai responder que quer ter o pênis no joelho”, brinca o médico.
“Quando um paciente entra em meu consultório e pede uma solução para o ‘pênis pequeno’, eu digo que adoraria ter algo simples, confiável e seguro. Mas até agora a ciência não descobriu nada que mude isso. Não há nada a oferecer, só tratamento e aconselhamento psicológico”, fala Faria.
“É um trauma psicológico que pode começar na infância e que o homem carrega pela vida toda”, avalia. “É difícil convencer um homem que acha que tem o pênis pequeno que o tamanho é normal e que o problema está na parte psicológica. Muitos ficam mais preocupados até mais com a aparência do que com a sexualidade”.

Leonardo frequentou dois anos de terapia e acompanhamento médico para poder perder a vergonha e tirar a roupa para uma primeira relação sexual. “E minha namorada da época não reclamou”, confessa. Os médicos garantem que é preciso considerar as distorções do imaginário masculino, que se sentem inseguros com pênis pequenos. “Tem muitos que reclamam até do tamanho quando está flácido”, diz Lopes.
Assim como Leonardo, muitos garotos ficam traumatizados na infância quando os pais ou outras pessoas da família comparam seus pênis com os de outros garotos da mesma idade. “Isso deve ser evitado para não alimentarem o complexo”, explica Faria.
Uma busca na internet aponta diversas promessas tratamentos de aumento de pênis. Nenhum, porém, é reconhecido pela medicina. O que os médicos e a Sociedade Brasileira de Urologia indicam é que os pacientes com dúvidas sobre o tamanho do seu pênis devem procurar profissional qualificado, que avaliará a situação, podendo ser necessária uma opinião multidisciplinar com sexólogo ou psicólogo.
Mas muitos homens recorrem a medicamentos via oral. Mas se enganam e o pior: podem ter diversos tipos de complicações. “Estes remédios têm testosterona como uma das bases e pode dar efeitos secundários se utilizados por muito tempo, como problemas no fígado, atrofiamento testicular, parada de produção de espermatozoide etc.”, diz Geraldo Faria, urologista e presidente da Sociedade Latino-Americana de Medicina Sexual.
Os dispositivos que garantem aumento de pênis, como aparelhos à vácuo, aparelhos de tração mecânica, aparelhos de estimulação eletromagnética e pesos, também não funcionam. “Podem causar ferimentos graves. E imagine como deve ser desconfortável andar com um dispositivo amarrado ao pênis por um dia inteiro. Do ponto de vista prático, é impossível”, afirma Lopes.
As cirurgias também não são recomendadas, uma vez que não estão comprovadas cientificamente na medicina. “Temos tido resultados desastrosos”, conta Faria. “Já recebi casos graves, até de perda de pênis”, conta Araújo, que recebe vários garotos no consultório com a “SPP” (Síndrome do Pênis Pequeno).
“O assunto é muito sério e termos de ter cuidado com os pacientes, que sem dúvida precisam de tratamento, mas não do pênis. Do ponto de vista médico não há nenhuma técnica cirúrgica que permita o aumento do pênis, tanto em comprimento quanto em largura”, diz Faria.
Existem técnicas para fazer com que o pênis pareça maior, como retirar a gordura da área pubiana e outros procedimentos estéticos. Mas é preciso tomar muito cuidado com o que se aceita nos consultórios. “Não há milagre. Há pesquisas sendo realizadas no mundo inteiro para ver se há alguma solução, mas até agora nada”, afirma o presidente da Sociedade Latino-Americana de Medicina Sexual.

MÉTODOS QUE PROMETEM O AUMENTO PENIANO



Medicamentos via oral e injetáveis Remédios só funcionam na fase infantil. Se um uropediatra detectar que o menino tem micro-pênis, poderá fazer uso de medicamentos, e apenas entre 5 e 7 anos de idade. Na fase adulta, não há como reverter o quadro. Os pacientes que se sujeitam a tomar remédios podem ter complicações sérias de saúde
Cirurgias para aumentar o pênis
Até hoje não há comprovação científica para cirurgia ou qualquer intervenção com objetivo de aumento peniano. Os resultados são duvidosos.
Uso de aplicações de metacrilato ou gel russo (feito à base ácido hialurônico)
Tratamento perigoso e pode trazer resultados desastrosos, como cicatrizes e deformações no pênis. O homem pode ter dores locais, dificuldades nas relações sexuais e ardência. Há risco de gangrena e necrose na região, se for injetada no corpo cavernoso.

Colágeno

O uso de colágeno pode causar deformações

Extensores e bombas penianas

Vendidos pela internet e sex-shops, estes aparelhos submetem o pênis a tração contínua. Não há nenhum estudo que comprove o funcionamento. O homem que fizer uso destes dispositivos pode ter sérias complicações no pênis.

Manuais de exercícios

Não há nenhum exercício ou uso de pesos no pênis que ajudem a aumentar o   tamanho. Pelo contrário, quem faz uso pode se machucar seriamente.

No Brasil, os procedimentos para aumentar o tamanho ou volume do pênis são experimentais. Mesmo assim, Fernando (nome fictício) ignorou a palavra de um médico e aceitou o que outro prometeu: 3 centímetros  a mais com uma operação.
Ele se submeteu a cirurgia do ligamento suspensor. Nesta operação, o cirurgião solta um ligamento que existe que une o pênis ao púbis. Essa estrutura, ao ser cortada, faz com que o genital ganhe poucos centímetros – mas em estado flácido. “Não deu um resultado satisfatório, já que depois de um tempo, foi reversível”, afirmou.
Depois disso, Fernando também teve de recorrer à terapia para aceitar o tamanho do pênis. Atualmente o advogado tem 28 anos, é casado e tem um filho. “Para chegar aqui foi um custo. A minha família é prova de que venci a luta contra meu próprio preconceito”, confessa.
Fernando acredita que tem o pênis pequeno, apesar de ser considerado normal para os médicos. “Quando ereto, tem 12 centímetros. Mas descobri que o que faz a diferença é minha performance e não o tamanho do meu pênis”, disse.

É possível aumentar tamanho do pênis até os sete anos, diz médico



Todas as crianças precisam frequentar um pediatra. E se este especialista detectar algo de errado no menino pode aconselhar os pais a levá-lo a um uropediatra. “Este médico terá capacidade de saber se o crescimento do pênis é normal ou não e vai orientar os pais a como cuidar do pênis e se há algo errado”, diz o urologista e secretário geral da Sociedade Brasileira de Urologia, Eduardo Lopes.
Assim como existe uma tabela para crescimento de altura das crianças, há também uma tabela que mostra se o crescimento do pênis, mas apenas os meninos que têm micro-pênis são submetidos a tratamentos com hormônios.
“Hoje em dia existem várias maneiras de dar um aumento no pênis de meninos até 5 a 7 anos de idade. Podem usar medicamentos orais, adesivos ou até injeções que vão ajudá-lo. Mas apenas na fase infantil”, conta.
“Mesmo assim é preciso ter cuidado ao tratar deste assunto na frente da criança, para evitar traumas”, aconselha Geraldo Faria, urologista e presidente da Sociedade Latino-Americana de Medicina Sexual. “Tem pais que levam ao médico por achar que o pênis do garoto é pequeno. Mas às vezes, é só aparência, pois se o menino é gordinho, então parece que o pênis é menor do que deveria”, conta Lopes.

Mas é mesmo pequeno?
Segundo os especialistas, o pênis flácido mede de 5 cm a 10 cm de comprimento. O tamanho durante a flacidez não determina o tamanho durante a ereção, já que o pênis pode dobrar de tamanho quando ereto.  A medida é feita desde o ponto em que ele se encontra com o corpo (não com a pele) até a extremidade da glande.
Uma pesquisa realizada em consultórios de urologistas no país determinou que o pênis médio do brasileiro, quando flácido é de 9 centímetros e em ereção, é de 13 a 14 centímetros.
Carlos Araújo, cirurgião geral e vascular, especializado na área de andrologia, conta que homens com pênis muito grandes também têm problemas. “Homens muito avantajados chegam a machucar a companheira e não conseguem dar prazer”, explica.
O importante é saber que se o homem tem dúvidas com relação ao tamanho do pênis, precisa procurar um urologista. “Só o médico vai poder avaliar. E cada caso é um caso”, diz Farias. O paciente deve ser examinado detalhadamente, incluindo volume e presença dos testículos, presença e localização de pêlos pubianos e outras características sexuais.


Então por via das dúvidas melhor não se arriscar...


Isso deve doer muitoooooooo...

14 de set. de 2011

Síndrome de Down


Histórico
Em 1866 John Langdon Down, médico inglês descreveu as características da síndrome, que acabou sendo batizada com o seu nome. Em 1959, Jerôme Lejeune descobriu que a causa da Síndrome de Down era genética, pois até então a literatura relatava apenas as características que a indicavam.

Alteração Genética
A Síndrome de Down é um acidente genético, que ocorre ao acaso durante a divisão celular do embrião. Na célula normal da espécie humana existem 46 cromossomos divididos em 23 pares. O indivíduo com Síndrome de Down possui 47 cromossomos, sendo o cromossomo extra ligado ao par 21. Esta alteração genética pode se apresentar de 3 formas:
Trissomia 21 padrão
•Cariótipo: 47XX ou 47XY (+21) 
•Indivíduo apresenta 47 cromossomos em todas as suas células, tendo no par 21 três cromossomos. Ocorre em aproximadamente 95% dos casos.

Trissomia por translocação
•Cariótipo: 46XX (t 14;21) ou 46XY (t 14;21) 
•O indivíduo apresenta 46 cromossomos e o cromossomo 21 extra está aderido a um outro par, em geral o 14. Ocorre em aproximadamente 3% dos casos. 

Mosaico
•Cariótipo: 46XX/47XX ou 46XY/47XY (+21) 
•O indivíduo aprsenta uma mistura de células normais (46 cromossomos) e células trissômicas (47 cromossomos). Ocorre em aproximadamente 2% dos casos.

Diagnóstico

O diagnóstico, em geral, é feito pelo pediatra ou médico que recebe a criança logo após o parto, considerando as características fenotípicas peculiares à Síndrome. A confirmação é dada pelo exame do cariótipo (análise citogenética).
A forma genética da trissomia não tem valor no prognóstico, nem determina o aspecto físico mais ou menos pronunciado, nem uma maior ou menor eficiência intelectual. É importante ter claro que não existem graus de Síndrome de Down e que as diferenças de desenvolvimento decorrem das características individuais (herança genética, educação, meio ambiente etc.). O interesse em reconhecer e diferenciar o erro cromossômico, responsável pelo nascimento do bebê é preventivo. Ele permite saber se o acidente pode ocorrer em outra gestação ou se ele pode ou não ocorrer em familiares, irmãos ou irmãs da criança.
As características fenotípicas mais comuns são: hipotonia muscular generalizada; fenda palpebral oblíqua; prega palmar transversa única; face achatada; ponte nasal larga e deprimida; orelhas com baixa implantação; entre outras.
Também podem ser realizadas técnicas de diagnóstico pré-natal:
Amostra de Vilocorial: Realizada entre a 8a e 11a semana de gravidez. Consiste na retirada de amostra do vilocorial, um pedaço de tecido placentário obtido por via vaginal ou através do abdômen. As vantagens deste procedimento sobre a amniocentese são de que há possibilidade de realização mais cedo e os estudos cromossômicos permitem resultados mais rápidos. Os riscos de aborto são maiores do que na amniocentese.
Amniocentese: Realizada entre a 14ª e 16ª semana de gravidez. Consiste na coleta do líquido amniótico através da aspiração por meio de uma agulha inserida na parede abdominal até o útero. Este líquido vai ser então utilizado para uma análise cromossômica. O resultado demora de 2 a 4 semanas. Atualmente os riscos de aborto ou dano ao feto são pequenos.
Dosagem de alfafetoproteína materna: Consiste na triagem de alfafetoproteína no sangue de mulheres grávidas. Tem-se verificado que níveis baixos de alfafetoproteína estão relacionados às desordens cromossômicas, em particular com a Síndrome de Down. Observação: Quando os resultados destas últimas duas técnicas indicarem alterações, outros exames deverão ser realizados.
Aconselhamento genético: Sem dúvida o aconselhamento genético antes do estabelecimento de uma gravidez é a prática preventiva mais satisfatória. O médico deve considerar todos os fatores que poderiam aumentar a probabilidade que o casal tem de gerar um filho com Síndrome de Down, tais como: idade dos pais, ocorrência de outros casos na família, alterações cromossômicas nos pais etc. Os pais devem ser esclarecidos sobre estas probabilidades para poderem realizar conscientemente o planejamento familiar. 

 Incidência
 A probabilidade de um indivíduo ter Síndrome de Down é de 1:800 nascidos vivos. O nascimento de uma criança com Síndrome de Down é mais freqüente conforme aumenta a idade materna. Porém, qualquer pessoa está sujeita a ter um filho com esta Síndrome que ocorre ao acaso, sem distinção de raça ou sexo.

13 de set. de 2011

Autismo



O autismo é um transtorno invasivo do desenvolvimento, isto é, algo que faz parte da constituição do indivíduo e afeta a sua evolução. Caracteriza-se por alterações na interação social, na comunicação e no comportamento. Manifesta-se antes dos 3 anos e persiste durante a vida adulta. Há outros distúrbios do desenvolvimento que se enquadram no perfil de problemas autísticos, mas que não incluem todas as características da doença.
Basicamente, quatro fatores indicam a presença do autismo infantil: problemas de relacionamento social, dificuldade de comunicação, atividades e interesses restritos e repetitivos e início precoce.

Relacionamentos
A criança autista tem dificuldade em se relacionar com outros indivíduos. Assim, mantém-se distante, evita o contato visual, demonstra falta de interesse pelas pessoas e não procura conforto quando se machuca. Em 50% dos casos, o interesse social se desenvolve com o tempo, mas a reatividade, a reciprocidade e a capacidade de empatia permanecem prejudicadas. O autista tem dificuldade em ajustar seu comportamento ao contexto social e não consegue reconhecer ou responder adequadamente às emoções dos demais.
É comum, porém, que a criança tenha proximidade com os pais, desenvolvendo inclusive a afeição, mas é mais propensa a abraçar do que a aceitar ser abraçada. As interações sociais com os pares são restritas. Mesmo autistas adultos têm habilidade limitada de fazer amizades íntimas.

Comunicação

A dificuldade de comunicação afeta a compreensão e a expressão, o gestual e a linguagem falada. Metade dos autistas não conseguem desenvolver uma fala compreensível; a outra metade mantém atrasos nessa área. Uma minoria aprende palavras e até frases no período apropriado, mas depois perdem essa habilidade.
Quando a expressão verbal é desenvolvida, é tipicamente diferenciada e atrasada, com ritmo e entonações anormais. O indivíduo costuma repetir palavras ou frases (ecolalia), cometer erros de reversão pronominal (troca do “você” pelo “eu”), usar as palavras de maneira própria (idiossincrática), inventar palavras (neologismos), usar frases prontas e questionar repetitivamente. Normalmente o autista não mantém uma conversação, simplesmente fala para outra pessoa. Alguns usam a expressão verbal apenas para pedir coisas; outros, não percebem que o ouvinte não tem mais interesse no assunto. Os gestos são reduzidos e pouco integrados ao que está sendo dito. Metade das crianças autistas desenvolve uma fala compreensível até os 5 anos. Aquelas que não o tenham feito, dificilmente terão uma expressão verbal apropriada.


Interesses

Com relação às suas atividades e interesses, os autistas são resistentes a mudanças e mantêm rotinas e rituais. É comum insistirem em determinados movimentos, como abanar as mãos e rodopiar. Preferem brincadeiras de ordenamento (alinhamento de objetos, por exemplo) e têm fascinação por objetos ou elementos inusitados para uma criança (zíperes e cabelos, por exemplo).
Costumam preocuparem-se excessivamente com temas restritos, como horários fixos de determinadas atividades ou compromissos. Dificilmente brincam de faz-de-conta e quando isso ocorre, limitam-se a ações simples de um ou dois episódios histórias ou programas de TV favoritos.
Apesar de ser dificilmente detectada no primeiro ano de vida, a doença pode se manifestar nesse período, caracterizada por um desenvolvimento anormal. Um dos sinais é a aversão ao colo. Em casos raros, a partir de uma certa idade, a criança entra numa fase de regressão e perde habilidades de interação social e comunicação adquiridas nos primeiros anos de vida.

Prevalência
Duas em cada mil crianças têm algum distúrbio autístico. Dessas, de 10% a 50% são portadoras do autismo infantil (a variação percentual decorre das diferentes formas de classificação da doença). A doença atinge aproximadamente 0,05% da população, e a ocorrência de novos casos é mais comum no sexo masculino, na razão de três homens para cada mulher afetada. Não há uma clara relação entre o autismo e a classe sócio-econômica, apesar de estudos mais antigos apoiarem essa teoria.
 
O retardo mental afeta a maioria dos autistas. Cerca de 50% dos portadores do distúrbio têm quociente de inteligência (QI) inferior a 50; 70%, menor que 70; e 95%, abaixo de 100. Como a fala nesses indivíduos é normalmente prejudicada, a avaliação do QI é feita com testes não-verbais. Autistas com retardo mental são propensos a se auto-mutilar, batendo com a cabeça ou mordendo a mão, por exemplo.

Outros sintomas

Um terço dos autistas com retardo mental sofre crises convulsivas, que começam a se manifestar dos 11 aos 14 anos. Mas o problema também afeta 5% dos autistas com QI normal. Além disso, muitas crianças autistas apresentam problemas comportamentais ou emocionais. A hiperatividade é freqüente, mas pode desaparecer na adolescência e ser substituída pela inércia. A irritabilidade também é comum e costuma ser desencadeada pela dificuldade de expressão ou pela interferência nos rituais e rotinas próprios do indivíduo. A alimentação em exagero é uma forma de comportamento ritualístico. O autista também pode desenvolver medos intensos, que desencadeiam fobias.
Cerca de 10% dos autistas perdem habilidades de linguagem e intelectuais na adolescência. O declínio não é progressivo, mas a capacidade intelectual perdida geralmente não é recuperada.
Na vida adulta, quase 10% dos autistas trabalham e são capazes de se cuidar. Raramente mantém bons amigos, casam-se ou tornam-se pais. Crianças com um QI inferior a 60 provavelmente se tornarão dependentes na vida adulta. Entretanto, quando o QI é mais alto e a fala é compreensível, os autistas têm 50% de chance de desenvolver um bom desempenho social.

Origem

Uma grande variedade de distúrbios relacionados ao autismo foi reportada na literatura médica. Para a maioria das crianças autistas sem uma disfunção correlata, as causas ligadas a fatores genéticos são as mais prováveis. Estudos com gêmeos sugerem que a hereditariedade está intimamente ligada ao transtorno e que a origem esteja numa combinação de genes, e não em um único gene isolado.
A taxa de recorrência de autismo entre irmãos é de aproximadamente 3% e varia de 10% a 20% para as formas variantes da doença. Nos casos de autismo associado a retardo mental profundo e severo, as causas podem estar mais ligadas a danos cerebrais do que a fatores genéticos.
Não há evidências de que problemas psicossociais ou eventos traumáticos na infância, como desatenção dos pais, influenciem o surgimento do autismo. Há duas teorias principais sobre a causa do autismo, nenhuma delas comprovada. A primeira sugere que o problema original está na incapacidade do autista de perceber que há diferenças entre seu estado mental e o dos outros. Assim, o indivíduo teria dificuldade em ver o ponto de vista dos demais, mas seria capaz de compreender ações mecânicas e comportamentais dos objetos e das pessoas. A outra hipótese diz respeito à função executiva do indivíduo, que geraria dificuldades de planejamento e organização.

Tratamentos

O tratamento mais adequado para crianças autistas inclui escolas especializadas e apoio dos pais. Elas geralmente se desenvolvem melhor em instituições educacionais bem estruturadas, em que professores têm experiência com autismo.
Programas comportamentais podem reduzir a irritabilidade, os acessos de agressividade, os medos e os rituais, assim como promover um desenvolvimento mais apropriado.
Medicamentos que agem sobre o psiquismo não controlam os principais sintomas do autismo, mas podem atenuar os sintomas associados. Estimulantes são capazes de reduzir a hiperatividade, mas geralmente aumentam de forma intolerável os atos repetitivos. Doses baixas de neurolépticos costumam reduzir a agitação e as repetições e em dosagens mais altas podem reduzir a hiperatividade, a retração e a instabilidade emocional. No entanto, é preciso verificar se o benefício é superior aos problemas causados pelos efeitos colaterais dessas drogas.
Fonte: Neurociências | Solange Henriques
Artigo adaptado para divulgação no site do Instituto Indianópolis.

 

 



  

12 de set. de 2011

CALENDÁRIO BÁSICO DE VACINAÇÃO DA CRIANÇA




Nota: Mantida a nomenclatura do Programa Nacional de Imunização e inserida a nomenclatura segundo a Resolução de Diretoria Colegiada – RDC nº 61 de 25 de agosto de 2008 – Agência Nacional de Vigilância Sanitária - ANVISA
Orientações importantes para a vacinação da criança:

(1)
  vacina BCG:
 Administrar o mais precoce possível, preferencialmente após o nascimento.  Nos prematuros com menos de 36 semanas administrar a vacina após completar 1 (um)  mês de vida e atingir 2 Kg. Administrar uma dose em crianças menores de cinco anos de idade (4 anos 11meses e 29 dias) sem cicatriz vacinal. Contatos intradomicíliares de portadores de hanseníase menores de 1 (um) ano de idade, comprovadamente vacinados, não necessitam da administração de outra dose de BCG. Contatos de portadores de hanseníase com mais de 1 (um)  ano de idade, sem cicatriz - administrar uma dose. Contatos comprovadamente vacinados com a primeira dose - administrar outra dose de BCG. Manter o intervalo mínimo de seis meses entre as doses da vacina. Contatos com duas doses não administrar nenhuma dose adicional. Na incerteza da existência de cicatriz vacinal ao exame dos contatos intradomiciliares de portadores de hanseníase, aplicar uma dose, independentemente da idade. Para criança HIV positiva a vacina deve ser administrada ao nascimento ou o mais precocemente possível. Para as crianças que chegam aos serviços ainda não vacinadas, a vacina está contra-indicada na existência de sinais e sintomas de imunodeficiência, não se indica a revacinação de rotina. Para os portadores de HIV (positivo) a vacina está contra indicada em qualquer situação.

(2)  vacina hepatite B (recombinante): Administrar preferencialmente nas primeiras 12 horas de nascimento, ou na primeira visita ao serviço de saúde. Nos prematuros, menores de 36 semanas de gestação ou em recém-nascidos à termo de baixo peso (menor de 2 Kg), seguir esquema de quatro doses: 0, 1, 2 e 6 meses de vida. Na prevenção da transmissão vertical em recém-nascidos (RN) de mães portadoras da hepatite B administrar a vacina e a imunoglobulina humana anti-hepatite B (HBIG), disponível nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais - CRIE, nas primeiras 12 horas ou no máximo até sete dias após o nascimento. A vacina e a HBIG administrar em locais anatômicos diferentes. A amamentação não traz riscos adicionais ao RN que tenha recebido a primeira dose da vacina e a imunoglobulina.

(3)
  vacina adsorvida difteria, tétano, pertussis e Haemophilus influenzae b (conjugada):
 Administrar aos 2, 4 e 6 meses de idade. Intervalo entre as doses de 60 dias e, mínimo de 30 dias.  A vacina adsorvida difteria, tétano e pertussis – DTP são indicados dois reforços. O primeiro reforço administrar aos 15 meses de idade e o segundo reforço aos 4  (quatro) anos. Importante: a idade máxima para administrar esta vacina é aos 6 anos 11meses e 29 dias. Diante de um caso suspeito de difteria, avaliar a situação vacinal dos comunicantes. Para os não vacinados menores de 1 ano  iniciar esquema com DTP+ Hib; não vacinados na faixa etária entre 1 a 6 anos, iniciar esquema com DTP. Para os comunicantes menores de 1 ano com vacinação incompleta, deve-se completar o esquema com DTP + Hib; crianças na faixa etária de 1 a 6 anos com vacinação incompleta, completar esquema com DTP. Crianças comunicantes que tomaram a última dose há mais de cinco anos e que tenham 7 anos ou mais devem antecipar o reforço com dT.

(4)  vacina poliomielite 1, 2 e 3 (atenuada): Administrar três doses (2, 4 e 6 meses). Manter o intervalo entre as doses de 60 dias e, mínimo de 30 dias. Administrar o reforço aos 15 meses de idade. Considerar para o reforço o intervalo mínimo de 6 meses após a última dose.

(5)
  vacina oral rotavírus humano G1P1 [8] (atenuada):
 Administrar duas doses seguindo rigorosamente os limites de faixa etária:  
primeira dose: 1 mês e 15 dias a 3 meses e 7 dias. 
segunda dose: 3 meses e 7 dias a 5 meses e 15 dias.
O intervalo mínimo preconizado entre a primeira e a segunda dose é de 30 dias. Nenhuma criança poderá receber a segunda dose sem ter recebido a primeira. Se a criança regurgitar, cuspir ou vomitar após a vacinação não repetir a dose.

(6)  vacina pneumocócica 10 (conjugada): No primeiro semestre de vida, administrar 3  (três) doses, aos 2, 4 e 6 meses de idade. O intervalo entre as doses é de 60 dias e, mínimo de 30 dias. Fazer um reforço, preferencialmente, entre 12 e 15 meses de idade, considerando o intervalo mínimo de seis meses após a 3ª dose. Crianças de 7-11 meses de idade: o esquema de vacinação consiste em duas doses com intervalo de pelo menos 1 (um) mês entre as doses. O reforço é recomendado preferencialmente entre 12 e 15 meses, com intervalo de pelo menos 2 meses.

(7)
  vacina meningocócica C (conjugada):
 Administrar duas doses aos 3 e 5 meses de idade, com intervalo entre as doses de 60 dias, e mínimo de 30 dias. O reforço é recomendado preferencialmente entre 12 e 15 meses de idade.

(8)
  vacina febre amarela (atenuada):
 Administrar aos 9 (nove) meses de idade. Durante surtos, antecipar a idade para 6 (seis) meses. Indicada aos residentes ou viajantes para as seguintes áreas com recomendação da vacina: estados do Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais e alguns municípios dos estados do Piauí, Bahia, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Para informações sobre os municípios destes estados, buscar as Unidades de Saúde dos mesmos. No momento da vacinação considerar a situação epidemiológica da doença. Para os viajantes que se deslocarem para os paises em situação epidemiológica de risco, buscar informações sobre administração da vacina nas embaixadas dos respectivos países a que se destinam ou na Secretaria de Vigilância em Saúde do Estado.  Administrar a vacina 10 (dez) dias antes da data da viagem. Administrar reforço, a cada dez anos após a data da última dose.
(9)  vacina sarampo, caxumba e rubéola: Administrar duas doses. A primeira dose aos 12 meses de idade e a segunda dose deve ser administrada aos 4 (quatro) anos de idade. Em situação de circulação viral, antecipar a administração de vacina para os 6 (seis) meses de idade, porém deve ser mantido o esquema vacinal de duas doses e a idade preconizada no calendário. Considerar o intervalo mínimo de 30 dias entre as doses.
Fonte: Portal Saúde