23 de dez de 2012

FÓRCIPE


FÓRCIPE

INTRODUÇÃO 
O Fórcipe ocupa o seu lugar de destaque na prática obstétrica moderna, apesar do estigma negativo que perdura entre leigos e considerando as inovações tecnológicas sofisticadas que enriqueceram nossa especialidade nos últimos anos. 
Afastadas da prática obstétrica moderna, as aplicações de Fórcipe em cabeças altas ou encravada no estreito médio do canal de parto, é hoje o Fórcipe baixo mais requerido do que há 40 anos, diante da comprovada eficácia em evitar a hipóxia fetal, que poderia levar corriqueiramente às seqüelas neurológicas significativas. 

CLASSIFICAÇÃO 
• Fórcipe Alto: É todo fórcipe aplicado quando o vértice da cabeça fetal encontra-se acima do plano das espinhas ciáticas (-1, -2, -3 de De Lee ). 
Contra-indicação indiscutível na prática  obstétrica atual. 
• Fórcipe Médio: Quando a aplicação do instrumento faz-se em cabeça cujo vértice está a altura ou imediatamente abaixo do plano das espinhas ciáticas (0, +1 e +2 de De Lee ). Pode ser uma excelente  demonstração  de técnica, mas a nossa experiência em  presenciar  inúmeras lesões  cervicais,  lacerações vaginais e   hematomas perineais  , nos levam a  classificar  a aplicação  deste Fórcipe  como  má  conduta obstétrica. 
• Fórcipe Baixo: Cabeça fetal 3 de De Lee 
a.  Rotação  ≤ 45 graus (direita ou esquerda anterior para occípito anterior ou direita ou esquerda posterior para occípito posterior. 
b.  Rotação > 45 graus. 
• Fórcipe de Alívio:
Cabeça visível no intróito sem separar os grandes lábios. 
Sutura sagital no diâmetro anteroposterior ou ODA ou OEA ou OS 
Rotação ≤ 45 graus. 
Cabeça no assoalho pélvico
MEAC-UFC  2

TIPOS DE INSTRUMENTAL UTILIZADO
1.  FÓRCIPE DE SIMPSON–BRAUN

Características:
•  Articulação Fixa por encaixe
• Acentuada curvatura pélvica
Utilização:
  • Nas variedades de posição anteriores e posteriores sem bossa
importante.

2.  FÓRCIPE DE KIELLAND

Características:
•  Curvatura pélvica pequena
• Articulação em deslize do ramo direito sobre o ramo esquerdo
Utilização:
  • Pode ser aplicado em todas as condições ( variedades obliquas, diretas e transversas ).
• Temos preferido aplicá-lo nas posições transversas ou nas posições anteriores e posteriores com bossa serossanguínea significativa, uma vez que permite uma pega assimétrica (articulação móvel).

3.  FÓRCIPE DE PIPER

Características:
•  Curvaturas cefálica e pélvica pouco pronunciadas, promovendo
discreta solicitação do assoalho perineal no momento da tração.
• Articulação por encaixe.

Utilização:
 • No desprendimento da “cabeça derradeira” (parto pélvico com
dificuldade de desprendimento do polo cefálico derradeiro).

CONDIÇÕES DE APLICABILIDADE
• Dilatação completa.
• Bexiga e reto vazios
• Bolsa rota.
• Complacência vaginal satisfatória (avaliação positiva de baixo risco de lacerações
vaginais).
• Volume Fetal normal (avaliação positiva de proporcionalidade feto-pélvica).
• Apresentação no plano +3 de De Lee (na atualidade a grande aplicação do fórcipe).
• Diagnóstico correto da variedade de posição (OP, OEA, ODP, etc.).
• Concepto vivo ou morte recente.
• Disponibilidade de Anestesista.
• Banco de sangue capaz de providenciar, rapidamente, adequado volume de sangue, caso necessário.
• Boa qualificação do Obstetra (não se questiona a utilização do instrumento e sim quem está por trás dele!).

INDICAÇÕES
1.  Dificuldade ou contra-indicação na utilização  da  prensa  abdominal  no  segundo
período do parto:
• Cansaço materno excessivo.
• Cardiopatia.
• Eclâmpsia.
• Doenças Pulmonares graves.
• Hérnias de parede abdominal.
• Astenia.
• Síndrome de HELLP.
• Cesárea anterior (evolução eutócica no primeiro período).
2.  Discinesias uterinas não corrigidas com o uso criterioso de solução ocitócica.
• Inércia Uterina.


• Hipoatividade uterina.
3.  Para evitar manobras de força (Kristeller), mal aplicadas.
4.  Período expulsivo prolongado, cujas causas não se enquadram nas situações acima:
• Circular de cordão umbilical ou prolapso.
• Bossa serossangüínea dificultando a rotação final do polo cefálico
• ODP persistente em +3 de De Lee
• OEA persistente em +3 de De Lee
• Sofrimento fetal agudo.
Duas condutas relacionadas ao momento exato da indicação do Fórcipe motivam discussão em nosso serviço:
1.  Conduta conservadora:  O Fórcipe só deve ser aplicado na presença de dificuldades de expulsão da cabeça fetal, para não retirar precocemente da mulher, o direito do nascimento espontâneo.
2.  Conduta Ativa: É injustificável não encurtar o período expulsivo, apenas porque um intervalo arbitrário de tempo foi estabelecido ou ainda não se instalou o sofrimento fetal.

TIPOS DE PEGA
•  Biparietomalomentoniana: Pega ideal.
•  Frontomastoideia (Oblíqua): Precária
•  Fronto-Occipital: Má (Grande risco de Tocotraumatismos).

TÉCNICA DE APLICAÇÃO
1.  Condições Preliminares:
• Posição Litotômica com coxas fletitas em ligeira abdução sobre o abdome.
• Antissepsia + esvaziamento vesical (Enteroclisma e tricotomia perineal já executados).
• Anestesia Locorregional (Bloqueio bilateral de Nervos pudendos).
• Anestesia Peridural ou Raqueanestesia em casos de necessidade de toque profundo para identificação de variedade ou na presença de bossa volumosa.


• Apresentação do Fórcipe à vulva- O Fórcipe é seguro em frente à vulva na posição em que ficará depois da locação das colheres.
• Epsiotomia – Sempre médio-lateral afastando-se o risco de prolongamento mediano com lesão do esfíncter anal.
2.  Nas variedades oblíquas  anteriores ou posteriores:
2.1. Introdução do ramo esquerdo:
Os dois dedos-guias da mão direita, indicador e médio, são introduzidos profundamente na vagina na região postero-lateral esquerda, tomando como ponto de apoio o jumélio posterior, a medida que o ramo esquerdo avança (empunhado pela mão esquerda).
Se fixarmos a atenção em um ponto na extremidade do cabo, o movimento desenvolvido será de uma espiral (Lachapelle).
Corrige-se, quase sempre, a posição do ramo, elevando-se a colher para a extremidade esquerda do diâmetro transverso com os dois dedos-guias da mão direita.
Com a prática este movimento será fácil, contínuo e delicado.
2.2. Introdução do ramo direito:
O Obstetra posiciona-se, dando as costas para o membro inferior esquerdo da paciente, aplicando o ramo direito por cima do ramo esquerdo, antes aproveitando para aprofundar a colher na região postero-lateral direita da vagina até a não visualização do sulco do jumélio, para em seguida, com o auxílio dos dedos-guias da mão esquerda completar o movimento em espiral até seu encaixe com a colher esquerda.
Como esta colher possui um grau maior de dificuldade, mudamos a forma de empunhar o cabo do fórcipe, inicialmente como um lápis, passando a segurá-lo por cima, como se segura um punhal. Esta mudança de empunhadura deverá acontecer, quando o cabo estiver em um angulo aproximado de 45 o   com a horizontal.
2.3. Sinais de Pega ideal:
2.3.1.  A articulação deverá ser completada com facilidade sem necessitar rotacionar o cabo do ramo direito sobre o próprio eixo ou tracioná-lo para frente ou para trás.
2.3.2.   A Sutura sagital precisa localizar-se eqüidistante dos ramos do fórcipe (curvas cefálicas).

2.3.3. A pequena fontanela deverá ficar a um dedo transverso acima do plano dos cabos articulados.
2.3.4. Não se pode introduzir mais que a poupa digital entre a cabeça fetal e a cauda da fenestra
2.4. Tração:
Procede-se em seguida a tração progressiva tentando imitar o efeito provocado pelas contrações uterinas, orientando o vetor de tração que, primeiro apontará para o abdome do Obstetra, em seguida para o esterno (tórax) e finalmente para a cabeça. No momento do desprendimento da cabeça, os cabos do fórcipe estarão perpendiculares ao plano da mesa.

2.5. Extração:
Quando as bossas parietais começarem a desprender abaulando visivelmente a região perineal, o fórcipe deverá ser desarticulado em movimento inverso ao da introdução (primeiro o ramo direito seguido do ramo esquerdo).
Comprime-se fortemente a região perineal desprendendo-se o maxilar do concepto completando-se a sua extração como em um parto normal.
3.  Nas variedades transversas:
Só utilizamos o fórcipe de Kielland.
A primeira colher a ser alocada é a anterior e mediante técnica migratória, reproduzindo a manobra de Lachapelle até ficar sob o pube.
Em OET – 1 ª colher - ramo  direito.
Em ODT – 1 ª colher – ramo esquerdo.
A Segunda colher (posterior) se aplica diretamente.

PROCEDIMENTOS FINAIS
Após o delivramento ativo, procede-se a revisão criteriosa do colo uterino com sutura de eventuais lacerações, causadoras de endocervicites crônicas. Evita-se assim cirurgias reparadoras como a traquelorrafia.
Não podemos esquecer de revisar as paredes laterais da vagina correspondentes ao trajeto das colheres do fórcipe. Sutura-se, em seguida, a região da episiotomia e seus eventuais prolongamentos.
O toque retal é indispensável para avaliação da proximidade da ampola retal antes de  realizarmos  a  episiorrafia. Trocar  luvas  ,  e  em  seguida  proceder  episiorrafia, finalizando novamente com  toque retal.
O acompanhamento na evolução da mãe e de seu concepto é fundamental para obtenção da experiência e segurança na prática do Fórcipe.
A profilaxia com 1g de Cefazolina (Kefazol) imediatamente após o desprendimento do feto, não pode ser negligenciada.



19 de dez de 2012

Gangrena de Fournier






síndrome de Founier, também conhecida como gangrena de Founier, fasceíte necrosante ou síndrome de Mellené, caracteriza-se por uma infecção aguda dos tecidos moles do períneo, com presença de celulite necrotizante secundária e bactérias anaeróbicas ou gram-negativas, ou ambas.
Esta doença foi relatada pela primeira vez no ano de 1764 por Baurienne, e recebeu esse nome em homenagem ao urologista francês Jean Alfred Founier que descreveu com detalhes a síndrome em trabalhos publicados nos anos de 1863 e 1864.
Nesta afecção encontra-se presente endarterite obliterante, resultando em trombose vascular subcutânea e necrose tecidual. Esta última, por sua vez, secundária a isquemia local e efeito sinérgico das bactérias. A necrose acaba por favorecer a entrada desses microrganismos em áreas anteriormente estéreis.
A síndrome de Founier pode ser idiopática ou pode estar ligada a fatores predisponentes, como alcoolismo, diabetes mellitus, trauma mecânico, procedimentos cirúrgicos, pacientes imunossuprimidos, infecções do trato urinário ou perianais, dentre outros.
Anteriormente era descrita como uma afecção rara; todavia, hoje um fato aparentemente está colaborando para da incidência desta síndrome: o uso abusivo de antibióticos.
O quadro clínico evidencia edema e eritema escrotal doloroso súbito em pacientes sem qualquer queixa, escurecimento do tecido epitelial, progredindo para gangrena, com odor fétido e enfisema subcutâneo no local. Neste momento, ocorre uma melhora da dor, devido ao acometimento dos nervos, o que torna o quadro ainda mais complicado. O paciente também apresenta febre e um quadro grave de toxiinfecção, onde o paciente passa a apresentar náusea, vômito, taquipnéia e alterações mentais.
Ainda não se conhece o motivo da preferência pela região escrotal. Existem diversas hipóteses como: falta de higiene; menor circulação de ar; pregas da pele que alojam bactérias que, por sua vez, penetram na pele após algum trauma; tecido celular subcutâneo muito frouxo facilitando a disseminação; edema em trauma ou pequenas infecções, impedindo que haja uma correta vascularização da região; tromboses extensas de vasos subcutâneos.
O tratamento baseia-se na utilização de antibióticos de amplo espectro, que atacam bactérias anaeróbicas e gram-negativas. O procedimento cirúrgico é indispensável, bem como o tratamento da etiologia quando há a evolução da doença. Outras terapias inclusas são a oxigenoterapia hiperbárica e os triglicerídeos de cadeia média, como, por exemplo, o óleo de girassol.


Fonte: www.infoescola.com › Doenças

3 de dez de 2012

Síndrome Don Juan

Síndrome de Don Juan

O donjuanismo é um protótipo particular de comportamento humano, classificação esta estribada particularmente em valores culturais e morais. 

Fica mais difícil entender os novos tempos, quando consideramos que as expressões ficar com... e sair com... significam a mesma coisa, apesar dos termos ficar e sair serem antagônicos.
Donjuanismo é uma expressão em desuso que veio à tona há algum tempo, depois do filme Don Juan de Marco, com Marlon Brando e Johnny Depp. O filme Don Juan de Marco foi escrito e dirigido por Jeremy Leven.

Don Juan é um personagem literário tido como símbolo da libertinagem. O primeiro romance com referência ao personagem foi a obra El Burlador de Sevilla, de 1630, do dramaturgo espanhol Tirso de Molina. Posteriormente Don Juan aparece em José Zorrillacom a estória de Don Juan Tenorio. A figura de Don Juan foi também cultuada na música, em obras de Strauss e Mozart, este último com a ópera Don Giovanni, composta em 1787. Outro paradigma do eterno sedutor é a figura de Casanova, conhecida pela autobiografia do veneziano Giovanni Jacopo Casanova.
Mas a figura do eterno sedutor continua atrelada à Don Juan, que aparece ainda na obra de Molière, em Le Festin de Pierre, no poema satírico de Byron chamado simplesmente Don Juan, no drama de Bernard Shaw, chamado Man and Superman.
Segundo Jung, para quem qualquer forma de arte, assim como os mitos, são veículos para a expressão do inconsciente coletivo, Don Juan pode representar nossos arquétipos (Walter Boechat - veja mais sobre o filme).Trata-se de um padrão de personalidade caracterizado por uma pessoa narcisista, enamorada, inescrupulosa, amada e odiada e que faz tudo valer para a conquista de uma pessoa.
donjuanismo representa um protótipo particular de comportamento humano, classificada particularmente pelos valores culturais e morais. Não existe essa denominação no CID.10 ou DSM.IV, mas isso não significa, absolutamente, que por isso pessoas assim deixam de existir.
Independente das interpretações psicanalíticas sobre o filme Dom Juan de Marco, interessa aqui apenas caracterizar um tipo de conduta atual; a inclinação que as pessoas têm para liberdade sexual explícita. A característica principal do que se pode chamar hoje de donjuanismo, seria uma forte compulsão para sedução, entretanto essa característica não é isolada nem única na personalidade da pessoa, também não é exclusiva do sexo masculino.
Descreve-se o donjuanismo como uma personalidade que necessita seduzir o tempo todo, que aparentemente se enamora da pessoa difícil mas, uma vez conquistada, a abandona por desinteresse. As pessoas com esse traço não conseguem ficar apegados a uma pessoa determinada, partindo logo em busca de novas conquistas. Elas são os anarquistas do amor (Sapetti), tornando válidos quaisquer meios para conquistar, não obstante, os sentimentos da outra pessoa não são levados em consideração. Aliás, Foucault enfatiza essa questão ao dizer que Don Juan arrebenta com as duas grandes regras da civilização ocidental, a lei da aliança e a lei do desejo fiel.
Em psiquiatria clínica, entretanto, o desprezo para com o sentimento alheio pode ser critério para caracterizar uma atitude sociopática ou anti-social. Para o donjuan só interessa o hedonismo, o instante do prazer e o triunfo sobre sua conquista, principalmente quando a pessoa de seu interesse tem uma situação civil proibida (casada, freira, irmã ou filha de amigo, etc ou os correspondentes masculinos). Sobre essa característica o escritor Carlos Fuentes, alega ao seu Don Juan a frase: "Porque nenhuma mulher me interessa se não tiver um amante, marido, confessor ou Deus, ao qual pertença ...".
Normalmente essas pessoas ignoram a decência e a virtude moral mas seu papel social tenta mostrar o contrário; são eminentemente sedutores. O aspecto de desafio mobiliza o donjuan, fazendo com que a conquista amorosa tenha ares de esporte e competição, muitas vezes convidando amigos para apostas sobre sua competência em conquistar essa ou aquela mulher. Não é raros que esses conquistadores tragam listas e relações das mulheres conquistadas, tal como um troféu de caça.
Por outro lado, segundo Kaplan, deve haver significativos sentimentos homossexuais latentes nesses indivíduos. Esse autor considera que, levando para a cama a mulher de outro, o donjuan estaria inconscientemente se relacionando com o marido, motivo maior de seu prazer. Tanto que é maior o prazer quanto mais expressivo é o marido ou namorado traído.
O narcisismo (traço feminóide) dessas pessoas é uma das características mais marcantes, a ponto delas amarem muito mais a si mesmas que a qualquer outra pessoa conquistada. Outros autores acham o donjuanismo um excesso do complexo de Édipo, ou fixação na mãe, já que muitos deles não constituem família com nenhuma de suas conquistas e acabam vivendo para sempre com suas mães.
Nos casos mais sérios a inclinação à sedução pode adquirir caráter de verdadeira compulsão, tal como acontece no jogo patológico. De certa forma, apesar dessa conquista compulsiva servir-lhe para melhorar sua sensação de segurança e auto-estima, uma vez possuído o que desejava, já não o deseja mais. Em alguns casos o donjuan começa a se desestimular com a conquista quando percebe que a pessoa conquistada já está apaixonada por ele. Pode até nem haver necessidade do ato sexual a partir do momento em que ele percebe que a pessoa aceita e deseja o sexo com ele. Por outro lado, se a pessoa a ser conquistada é indiferente ou não cede à sedução, o donjuan se torna mais obstinado ainda.
Não será totalmente lícito dizer, como dizem alguns, que o donjuan se diverte com o sofrimento alheio. Na realidade parece mais que seja insensível ao sentimento alheio do que tenha prazer com ele. De fato, parece que eles não experimentam com o amor o mesmo tipo de sentimento que as demais pessoas. O amor neles é um sentimento fugaz, passageiro e que, continuadamente, tem o objeto-alvo renovado. Se algum déficit pode ser apurado na personalidade do donjuan, este se dá no controle da vontade.
Apesar dessa compulsão à sedução, isso não significa que a pessoa portadora de donjuanismo seja, obrigatoriamente, mais viril ou mais ativo sexualmente. Esse quadro não deve ser confundido com a Atividade Sexual Compulsiva onde, aí sim há hipersexualidade.
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Portanto, a contínua sedução do donjuan nem sempre se dá às custas de um desempenho sexual excepcional mas sim, devido à habilidade em oferecer às pessoas a serem seduzidas, tudo aquilo que elas mais estão querendo. Nesse sentido, todos eles são sempre muito inconstantes, desempenham papeis sociais sempre teatrais e exclusivamente dirigidos à satisfação de suas conquistas, por isso fazem sempre o tipo "príncipe encantado", tão cultuado pelo público feminino. As pessoas sedutoras têm habilidade em perceber rapidamente os gostos e franquezas de suas vítimas e são igualmente rápidos em atender as mais diversas expectativas.
Há quem considere como uma das características fundamentais da personalidade dodonjuan uma acentuada imaturidade afetiva. O aspecto volúvel e responsável pela constante troca de relacionamento pode ser indício dessa imaturidade afetiva e indica, sobretudo, uma completa carência de responsabilidade ou medo de assumir os compromissos normais das pessoas maduras (casamento, família, filhos, etc.).
"Ficar com..." 
"Ficar com...", "sair com...", "namorix", são termos atualmente usados para designar a atitude de se relacionar sexualmente (com penetração sexual ou não), fortuitamente, fugazmente e sem nenhum compromisso de continuidade. Este relacionamento é fortuito porque não implica, obrigatoriamente, em nenhuma combinação ou contrato prévio, é fugaz devido à provisoriedade da união. Não há compromisso de continuidade porque, ao menor sinal de interesse de um dos envolvidos no sentido de continuar, a relação se desfaz e é evitada (diz-se que fulano(a) não é legal porque pega no pé). Nessa nova modalidade de relacionamento não há envolvimento amoroso, não há cobrança de compromisso e os objetivos se concretizam e se esgotam no orgasmo ou na despedida, normalmente com satisfação bilateral.

As mulheres começaram a expandir significativamente sua sexualidade depois da disseminação do uso da pílula anticoncepcional, nas décadas de 60-70, e a inconseqüência sexual que antes era monopólio dos homens, também passou a ser experimentada por elas. Descobriu-se que o prazer podia ser bilateral e, a partir daí, deixou-se de falar que fulano se aproveitou de fulana; ambos se aproveitavam.
A atitude de "Ficar com..." é diferente daquilo que se entende por donjuanismo porque não implica numa verdadeira conquista. "Ficar com..." é uma afinidade recíproca, e um não conquista o outro porque ambos estão, decididamente, com o mesmo objetivo em mente.
Se no donjuanismo a insensibilidade e menosprezo para com o sentimento alheio são a marca do diagnóstico, "ficar com..." implica, em essência e caracteristicamente, na ausência de sentimentos mais profundos de ambas as partes. Assim sendo, não havendo sentimentos profundos, não há o que menosprezar.
Dessa forma, decididamente, entre a população adepta do "ficar com..." não há espaço para o donjuan. Nesse meio ele não encontra sua presa, já que as pessoas não preenchem os requisitos de candidatas, pois são desimpedidas, livres e com vontade deficar com outras pessoas. A compulsão do Don Juan se desfaz ante a ausência do desafio.
Não há denominação satisfatória para descrever a mulher que preenche os requisitos do donjuanismo, mas elas existem indubitavelmente. São também pessoas movidas pela compulsão da conquista e sedução do outro, pela inclinação ao relacionamento impossível, seja com homens mais velhos ou muito mais novos, casados, padres, enamorados de outras mulheres, enfim, pessoas que oferecem alguma condição de desafio.
No donjuanismo feminino, tanto quanto no masculino, não há necessidade invariável de concluir a conquista através do ato sexual. Basta a mulher perceber que o objeto da conquista está, digamos, aos seus pés, que a motivação para continuar o relacionamento se desvanece.
Representação Cultural do Donjuanismo 

Evidentemente o mito de Don Juan pode representar um ideal masculino e, em alguns segmentos culturais, também um ideal feminino. A conquista como reforço da auto-estima pode, durante alguns momentos da vida ou em certas circunstâncias afetivas, ser eficiente. Entretanto, sendo a personalidade mais bem estruturada, a atitude conquistadora acaba mais cedo ou mais tarde, dando-se por satisfeita diante do objetivo conquistado. Essa é a principal diferença entre a Sedução Compulsiva e as conquistas normais durante a vida de qualquer pessoa.

Outra característica que diferencia as conquistas circunstanciais, apesar de múltiplas, do sedutor compulsivo, é a ausência de consideração para com os sentimentos alheios que sempre está presente neste último. Nas conquistas múltiplas e circunstanciais a pessoa tem boa noção e crítica sobre os eventuais transtornos sentimentais causados nas pessoas conquistadas e, em seguida, abandonadas.
Psicopatologia
Seria o donjuanismo uma doença? Seria uma doença, merecedora de tratamento ? Considerando o critério estatístico, aquele que constata a normalidade ou não-normalidade tendo como base a ocorrência estatística do fenômeno, podemos dizer que o donjuanismo não é normal (maioria das pessoas não é assim). Na realidade, a expressiva maioria das pessoas não é despojada de consideração para com o sentimento dos outros, mais especificamente, podemos dizer que a maioria das pessoas se mobiliza com o sentimento das mulheres.

Em psiquiatria ou na medicina geral, ser não-normal não significa, obrigatoriamente, ser doente. Para ser objeto de atenção médica é necessário que essa não-normalidade (estatística) implique também em um aspecto de morbidez, ou seja, implica na necessidade de sofrimento da pessoa ou de terceiros. Então, o donjuanismo poderá ser objeto de atenção médica na medida em que produz sofrimento.
Dentre os quadros classificados no DSM.IV e na CID.10, alguns critérios encontrados no Don Juan podem também ser encontrados no Transtorno Dissocial da Personalidade, da CID.10, ou em seu correspondente no DSM.IV, Transtorno Anti-social da Personalidade.

Entre os critérios do DSM.IV para o Transtorno Anti-social da Personalidade temos os seguintes:
Critérios para 301.7 - Transtorno da Personalidade Anti-Social
A. Um padrão invasivo de desrespeito e violação dos direitos dos outros, que ocorre desde os 15 anos, como indicado por pelo menos três dos seguintes critérios:
(1) fracasso em conformar-se às normas sociais com relação a comportamentos legais, indicado pela execução repetida de atos que constituem motivo de detenção
(2) propensão para enganar, indicada por mentir repetidamente, usar nomes falsos ou ludibriar os outros para obter vantagens pessoais ou prazer
(3) impulsividade ou fracasso em fazer planos para o futuro
(4) irritabilidade e agressividade, indicadas por repetidas lutas corporais ou agressões físicas
(5) desrespeito irresponsável pela segurança própria ou alheia
(6) irresponsabilidade consistente, indicada por um repetido fracasso em manter um comportamento laboral consistente ou honrar obrigações financeiras
(7) ausência de remorso, indicada por indiferença ou racionalização por ter ferido, maltratado ou roubado outra pessoa.
B. O indivíduo tem no mínimo 18 anos de idade.
C. Existem evidências de Transtorno da Conduta com início antes dos 15 anos de idade.
Entre esses critérios do Transtorno Anti-social da Personalidade, o Don Juan puro e sem outra patologia poderia cumprir os itens 1, 2, 3 e 7. Não mais que isso e, talvez isso não seja suficiente para alocar essas pessoas nessa classificação. Normalmente elas trabalham, não costumam ser irritáveis e agressivas, não desrespeitam a segurança própria, etc.
Entretanto, sob o código 302.9 do DSM.IV há o chamado Transtorno Sexual Sem Outra Especificação. Diz lá, que esta categoria é incluída para a codificação de uma perturbação sexual que não satisfaça os critérios para qualquer transtorno sexual específico, nem seja uma Disfunção Sexual ou uma Parafilia. Cita como exemplos o seguinte:
1. Acentuados sentimentos de inadequação envolvendo o desempenho sexual ou outros traços relacionados a padrões auto-impostos de masculinidade ou feminilidade.
2. Sofrimento acerca de um padrão de relacionamentos sexuais repetidos, envolvendo uma sucessão de amantes sentidos pelo indivíduo como coisas a serem usadas.
3. Sofrimento persistente e acentuado quanto à orientação sexual.
Nosso Don Juan poderia ser incluído no item 2 desse diagnóstico mas, mesmo assim, fica meio vago e pouco preciso pois, em nosso caso, o sofrimento seria mais por conta das vítimas do Don Juan que dele próprio e isso não está claro na descrição do DSM.IV.

A impressão (falsa) que se tem sobre o Don Juan é que, assim como é bem sucedido nas conquistas amorosas, também deve sê-lo em relação aos demais aspectos de sua vida. Entretanto, apesar dessas pessoas dominarem muito bem a arte da conquista do sexo oposto, elas não costumam ter a mesma habilidade em outras áreas da atividade humana; ocupacional, empresarial, estudantil ou mesmo familiar.
A trajetória de sua vida nem sempre resulta num final satisfatório. Normalmente as pessoas com esse perfil de personalidade acabam por não se fixarem com nenhuma companhia mais seriamente, não constituem família e acabam se aborrecendo quando constatam que não têm mais facilidade para conquistar mocinhas de 20 anos quando já estão na casa dos 60. Além disso, muitas vezes acabam ridicularizados por essas tentativas totalmente fora do contexto.
Além disso, eles podem atravessar períodos de grande angústia na maturidade quando se dão conta de que todos seus amigos estão casados têm família e eles já não podem desfrutar de tantas companhias femininas como outrora.
Tendo-se em mente a natureza constitucional do donjuanismo, ou seja, considerando ser este um defeito do caráter, o tratamento mais eficiente deve ser pleiteado para as intercorrências emocionais que acometem o paciente por conta da situação vivencial em que se encontra e não, diretamente dirigido à essa característica da personalidade.
para referir:
Ballone GJ, Moura EC - Síndrome de Don Juan e "Ficar com" - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2008.


26 de nov de 2012


A fisiologia de um beijo

Símbolo de vínculo, afeto e aceitação, o encontro entre bocas apaixonadas é levado a sério pela ciência. Descubra o que ele representa para o corpo e por que eleva tanto o bem-estar...


Um só minuto de beijo e, no entanto, quantos segundos de espanto! A frase é de Vinicius de Moraes, mas a sensação descrita é compartilhada pela maioria das pessoas. Será possível explicar racionalmente o que um gesto tão instintivo provoca dentro do organismo? 


"O beijo é um ato que faz o indivíduo se lembrar inconscientemente da amamentação, um período de entrega total. Por isso, traz conforto e confiança", avalia o ginecologista e sexólogo carioca Amaury Mendes Júnior. Para a psiquiatra Carmita Abdo, da Universidade de São Paulo, ele faz parte de uma espécie de iniciação no mundo. "A boca é o principal órgão da comunicação e aprendemos desde cedo a demonstrar afeto por meio do beijo", diz.



Nos últimos anos, a ciência se debruçou sobre o legítimo boca a boca e busca enxergá-lo inclusive como um mecanismo de perpetuação da linhagem. O homem prefere beijos molhados, por exemplo, porque tentaria lançar mais testosterona, o hormônio do apetite sexual, no corpo da mulher, despertando seu desejo. Corre uma hipótese de que o macho poderia até mesmo inferir a quantidade de estrogênio na saliva da fêmea, indício de fertilidade e boa prole.



Também se investiga como o beijo interfere no cérebro e proporciona bem-estar. Um estudo da neurocientista Wendy Hill, do Lafayette College, nos Estados Unidos, constata que o encontro bucal aumenta a produção de ocitocina, o mesmo hormônio que instiga vínculos entre o bebê e a mãe. "O beijo aplaca o estresse e faz liberar endorfinas, substâncias por trás da sensação de tranquilidade", diz Carmita.



Para Mendes Júnior, as carícias entre os lábios são ainda um indicativo de uma vida sexual saudável. "Quando um casal não se beija, a relação já não tem o mesmo afeto", afirma. Por outro lado, parceiros que investem em beijos mais calientes têm maiores chances de garantir ou resgatar a qualidade do bem-bom. "Esse ato é marcado por uma sensação erótica, já que as mucosas da boca são muito enervadas e vascularizadas, só perdendo para os genitais", explica. Dá para entender, portanto, por que a troca de saliva estreita os laços e aumenta a autoestima entre o casal. E você há de convir que não existe melhor presente para quem quer ser eternamente namorado.
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Fonte: Revista Saúde

20 de nov de 2012

Alimentos que fazem a tireoide trabalhar mais (e você perder peso).


Ela é pequena e seu formato lembra o de uma borboleta mas, não se engane, o tamanho desta glândula é desproporcional à sua importância.


Uma queda brusca nas reservas de energia, um cansaço implacável, o intestino que resolve travar, inchaços nas pernas e sem falar nos ponteiros da balança que custam a baixar. Estes podem ser os sinais de que a tireoide está funcionando em marcha lenta. A pequena glândula endócrina, em formato de borboleta e localizada na parte anterior do pescoço, no famoso gogó, é responsável pela produção dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), que regulam o metabolismo.
"A tireoide produz principalmente o T4 que será transformado dentro das células em T3, o hormônio ativo. O T3 se ligará a receptores no núcleo das células e incitará o funcionamento das mesmas. O T3 age em praticamente todos os órgãos, estimulando várias funções. Por exemplo, no coração, controla os batimentos cardíacos; no intestino, monitora o peristaltismo e a frequência de evacuações; e no cérebro, interfere na memória, no humor e em outras funções cognitivas", explica a endocrinologista Gisah Amaral de Carvalho, membro do departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
E quando a tireoide desacelera - problema conhecido como hipotireoidismo - todo o corpo fica preguiçoso. Com a diminuição no metabolismo geral, há uma verdadeira pane e, ainda, a tendência a engordar, que pode chegar a 10% do peso corporal. Mas, atenção! Segundo o endocrinologista Filippo Pedrinola, apesar do problema poder sim aumentar a silhueta, raramente a deficiência da tireoide leva à obesidade. O tratamento é feito por meio da reposição hormonal com levotiroxina, que deve ser ingerida diariamente em jejum.

A solução pode estar no seu prato
O principal nutriente para o bom funcionamento da tireoide é o iodo. A glândula utiliza este mineral - que pode ser ingerido na dieta - para a produção dos hormônios. "Uma dieta adequada fornece cerca de 150 microgramas (mcg) de iodo por dia, quantidade suficiente para uma adequada fabricação de T3 e T4", explica Gisah Amaral de Carvalho. Mas, ela alerta para o exagero. "Medicamentos, vitaminas ou alimentos com grande quantidade do mineral podem fornecer uma dose exagerada, o que pode atrapalhar o funcionamento da glândula." Vale lembrar, que com uma estratégia para suprir a necessidade de iodo pelas populações, diversos países, até mesmo o Brasil, adotam a iodação do sal para consumo. "Embora não se deva consumir sal em excesso, porque pode trazer prejuízos à saúde, o seu consumo moderado e diário é essencial para que a necessidade do mineral seja suprida", explica a nutróloga Regina Mestre, do RJ.
OUTROS PROBLEMAS
Mas, além do hipotireoidismo, que é a disfunção mais comum na glândula, há um outro distúrbio preocupante: o hipertireoidismo. A doença é caracterizada pela aceleração da tireoide, ou seja, pela produção excessiva de T3 e T4. Os sintomas mais comuns são insônia, taquicardia, irritabilidade, falta de concentração e, ao contrário do hipotireoidismo, perda abrupta de peso. O tratamento pode incluir a droga antitireoidiana.
Em casos severos pode-se recorrer ao iodo radioativo, que vai provocar a morte celular, e hipotireoidismo, o que resulta em reposição hormonal posteriormente. A recomendação cirúrgica é apenas para os casos graves. "As duas disfunções são geneticamente herdadas. Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo são doenças auto-imunes, ou seja, o indivíduo produz anticorpos contra a tireoide", explica Gisah.
No momento em que a produção de T3 e T4 fica muito baixa, a hipófise recebe a mensagem para produzir mais TSH, hormônio que vai estimular a fabricação dos dois primeiros. Mas quando os níveis de T3 e T4 aumentam, a hipófise é avisada para cessar a produção de TSH. É por essa razão que um dos exames sanguíneos que verificam o funcionamento da tireoide é o nível de TSH. Se estiver muito alto, o resultado aponta o hipotireoidismo. Porém, se estiver baixo, indica hipertireoidismo.
A tireoide também pode ter alteração anatômica, resultado da presença de nódulos ou do crescimento uniforme da glândula (bócio difuso). "Os nódulos são detectados ao exame clínico (apalpação do pescoço) em 4% a 7% da população e em 95% dos casos são benignos.", explica Gisah.

ELAS SÃO A MAIORIA
O hipotireoidismo é a alteração mais frequente da tireoide. Segundo Gisah Amaral de Carvalho, sua prevalência em mulheres é em torno de 10% e aumenta na menopausa, ficando em torno de 12 a 15%. Em homens, o percentual gira em torno de 3%. A incidência maior na ala feminina acontece porque o hormônio delas favorece a saída de iodo pela urina, portanto a mulher perde mais esse mineral do que o homem. E a sua carência pode levar ao aumento da tireoide, conhecido como bócio.
Uma em cada 10 mulheres apresenta hipotireoidismo. Em homens, sua prevalência gira em torno de 3%
Além disso, o hormônio feminino torna o tecido tireoidiano mais sensível à ação do TSH, por isso elas tendem a ter a tireoide um pouco maior e, portanto, mais sujeita a problemas. As mulheres têm de oito a nove vezes mais nódulos nesta glândula do que os homens, por efeito da gravidez ou dos hormônios femininos. Todos esses fatores fazem com que muitas delas tenham disfunções como consequência de gestações passadas. É importante lembrar também que as doenças da tireoide são hereditárias, ou seja, mulheres de uma mesma família podem apresentar o problema.
Mecanismo de ação
Como as disfunções na glândula afetam o corpo
INFOGRAFIA: HELTON GOMES
Fonte: Revista Viva Saúde