23 de fev de 2012

Além de degradar substâncias tóxicas, o órgão desempenha cerca de cinco mil funções vitais. O problema é que, cultivando maus hábitos, colocamos em risco tantos benefícios.

O fígado merece o crédito de órgão auxiliar do sistema digestório, já que sua atuação é fundamental para garantir a absorção de vitaminas e minerais. Além disso, é ele quem separa, no sangue, o que o corpo tem condições de aproveitar do que é lixo tóxico e, portanto, precisa ser eliminado o mais rápido possível.
Mas o status de ajudante do intestino não faz justiça à tremenda importância desse trabalhador incansável para o restante do corpo humano. "O órgão é responsável por várias outras funções, como a síntese de diversas proteínas, a produção de fatores de coagulação sanguínea e de substâncias que nos ajudam a neutralizar a ação de agentes agressores, causadores de doenças", explica o hepatologista Raymundo Paraná, presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia. Como se não bastasse, o fígado ainda conta com muitas outras atribuições. "O órgão também responde pela destruição das hemácias mais antigas, pelo armazenamento e liberação de glicose no sangue e pela produção de colesterol", complementa o hepatologista Luiz Augusto Carneiro D'Albuquerque, diretor do Serviço de Transplante e Cirurgia do Fígado do Hospital das Clínicas (SP).

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Confira as dicas da nutricionista Fernanda Tínel, da Santa Casa de Misericórdia (SP), para usar a dieta a seu favor. Aposte nestes alimentos:
Verduras, legumes, frutas e cereais integrais. Além de fibras, esses alimentos trazem ao organismo vitaminas e sais minerais que são essenciais para o processo de desintoxicação que ocorre no fígado.
Certas substâncias favorecem a fluidez da bile, facilitando seu transporte para fora do fígado, onde será utilizada no processo de metabolização das gorduras. São elas: colina (encontrada na lecitina de soja e no fígado), a betaína (encontrada na beterraba), a metionina (cereais integrais), a vitamina B6 (nozes, gérmen de trigo, lentilha), ácido fólico (feijão, pão integral, brócolis, tomate e espinafre), vitamina B12 (salmão e ovos).
Outros compostos facilitarão a desintoxicação realizada pelo fígado. É o caso do betacaroteno (vegetais de tonalidade amarelo/alaranjada e verdes-escuro), da vitamina C (frutas cítricas), da vitamina E (óleos de gérmen de trigo ou girassol, oleaginosas, como a castanha-dobrasil, a amêndoa e a avelã) e das vitaminas do complexo B (atum).

A despeito de cumprir religiosamente com tantos encargos, é sabido que as doenças relacionadas ao fígado se tornam frequentes. Estamos falando das hepatites B e C e das cirroses desencadeadas por abuso de álcool e pelo excesso de gorduras na alimentação. "A gordura acumulada é o que chamamos de esteatose hepática, uma doença que pode evoluir para a inflamação do órgão e para a formação de fibroses que prejudicam seu funcionamento. Essas fibroses podem se transformar em nódulos, caracterizando a cirrose. Assim, aumentam as chances de câncer de fígado", explica a hepatologista Cláudia Oliveira, professora da Faculdade de Medicina da USP.

BEM RELACIONADO 
O fígado é um dos cinco órgãos vitais e, para dar conta de seu trabalho, interage continuamente com os demais.
1. O fígado filtra o sangue a uma velocidade de 1,5 litro por minuto e os nutrientes processados pelo órgão são imediatamente enviados para o coração pela veia cava inferior e, de lá, seguem viagem para o restante do corpo, para serem absorvidos onde houver necessidade.
2. Caberá ao fígado, ainda, reconhecer as substâncias tóxicas do sangue - como drogas, venenos, álcool - para, a seguir, catabolizá-las, isto é, quebrá-las em moléculas menores, que poderão permanecer armazenadas no próprio fígado, ou ser excretadas pelos rins, pele ou pulmões.
3. Na vesícula, a bile produzida pelo fígado é armazenada até que o intestino precise dela, para digerir as gorduras e absorver adequadamente as vitaminas A, D, E e K.
4. O fígado é o único órgão irrigado por duas fontes. os nutrientes absorvidos no estômago e intestino delgado chegam até ele pela veia porta. Pela artéria hepática, o fígado recebe oxigênio do sangue, para alimentar suas células.


Gordura acumulada
A esteatose hepática é a doença crônica mais comum entre as que atingem o fígado e estima-se que sua prevalência, no país, gire em torno de 20% a 30% da população.
O número de pacientes com esse diagnóstico vem aumentando e boa parte deles sequer desconfia dos perigos a que está exposto. "Habitualmente, as doenças hepáticas evoluem por décadas sem qualquer sintoma específico. Isso dificulta muito o diagnóstico precoce", alerta Paraná.
A longo prazo, o problema pode refletir no aparecimento de edemas, inchaços nas pernas, ou de ascite, que é a retenção de líquido no abdome. Ao mesmo tempo, o paciente que sofre de uma insuficiência hepática perderá massa muscular e gordura. "Mas esses sinais só são notados quando o órgão já está muito debilitado", diz Cláudia.
Em geral, a doença é detectada durante os exames anuais de check-up. "A gordura acumulada no fígado pode ser vista num ultrassom de abdome. No entanto, a imagem não é suficiente para apontar se já existe um processo inflamatório em curso, dado que o médico colherá por meio de um exame de sangue específico e que só poderá ser confirmado pela biópsia hepática. Mas trata-se de uma avaliação que fazemos caso a caso", explica a hepatologista Marta Deguti, coordenadora do Projeto Jovem Gastro da Federação Brasileira de Gastroenterologia.
As causas da doença ainda não estão muito bem explicadas. De qualquer forma, já se sabe que há uma relação direta entre o aparecimento da esteatose e os quadros de obesidade. "Pessoas que estão na faixa de sobrepeso ou obesas e que acumulam gordura principalmente na região do abdome estão mais propensas a sofrer de esteatose hepática. Da mesma forma, pacientes que apresentam resistência à insulina, diabetes, colesterol alto e hipertensão fazem parte do grupo de risco", alerta Marta.
A chave para manter o órgão saudável é a mudança alimentar. Evite os grandes vilões como alguns cortes de carne vermelha e a manteiga
O que você pode fazer
Felizmente, é possível minimizar as chances de debilitar o fígado. E a chave para o sucesso no tratamento é a mudança de hábitos, principalmente os alimentares. No cardápio, os grandes vilões são os alimentos ricos em gorduras saturadas, principalmente as fontes de gordura animal, como alguns cortes de carne vermelha e a manteiga. "Os carboidratos simples e os doces também precisam ser controlados", recomenda Cláudia.
No mais, é interessante controlar o consumo de medicamentos e até mesmo chás fitoterápicos, já que todas essas substâncias são metabolizadas no fígado e podem obrigá-lo a trabalhar muito além de sua capacidade. "Alguns chás, apesar de serem vendidos como produtos naturais, podem lesionar o fígado, por conterem substâncias que são tóxicas", alerta Luiz Augusto D'Albuquerque.

8 boas razões para mudar seus hábitos
1. O fígado ajuda a regular as taxas de açúcar no sangue, armazenando carboidratos na forma de glicogênio, um tipo de estoque de energia que o corpo acessa quando estivermos executando uma atividade física extenuante.
2. É ele quem permite a absorção de vitaminas e sais minerais, como a vitamina A, D, E e K, o ferro e o cobre. 
3. O órgão é responsável pela degradação de substâncias tóxicas contidas no sangue, como álcool e outras drogas. 
4. Fabrica 70% do colesterol que circula pelo nosso organismo, gordura que é fundamental para o transporte de diversas substâncias no corpo.
5. Produz a bile, enzima que atua no intestino e que ajuda a digerir gorduras e a absorver algumas vitaminas. 
6. Funciona como uma reserva de sangue e ajuda o corpo a se recompor no caso de uma hemorragia severa. Na verdade, o fígado tem capacidade para armazenar 1/4 do total desse fluido que circula pelo organismo. 
7. Participa da produção de diversas proteínas importantes, que estão relacionadas a fatores imunológicos e de coagulação sanguínea. 
8. Destrói os glóbulos vermelhos que estão envelhecidos ou que se encontram em condições anormais.

Fonte: Revista Viva Saúde 

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